E com grande pompa e sob os gritos de uma multidão capaz de abafar todas as fãs do N’sync, a Blizzard anuncia o seu mais recente projeto: Uma expansão para Warcraft 3. As pessoas vão à loucura e as arquibancadas do estádio estremecem. As lágrimas descem dos olhos ardentes dos fãs que não conseguem conter sua emoção diante da sua, ahn, surpresa? Não exatamente.
>Seguindo uma linha que vai até Warcraft II: Tides of Darkness, a Blizzard seguiu seus jogos para o PC com expansões: Beyond the Dark Portal, Hellfire, Brood War, Lord of Destruction e finalmente The Frozen Throne. (eu creio que Warcraft: Orcs and Humans não teve uma expansão, mas não gravem isso em rocha). O fato da Blizzard estar revelando uma expansão agora não é exatamente grande novidade tanto por essa tradição de grandes expansões quanto pela história de Warcraft III, que deixava um monte de caminhos abertos para contar uma excelente saga continuando as aventuras dos heróis do jogo. Aliás, é justamente sobre a história que eu gostaria de falar hoje.
Durante o tempo em que a comunidade internacional acompanhava o desenvolvimento e os longos passos de concepção e equilÃbrio do jogo nos estágios alfa do jogo (as versões que antecedem o beta), um detalhe completamente fora do âmbito multiplayer e equilÃbrio era tema de grandes discussões e teorias na Internet: Qual seria a seqüência de campanha das quatro raças, e como seria o desfecho do jogo? Havia várias teorias a respeito, mas como foi anunciado muito cedo que a campanha começaria com a Aliança Humana, elas apenas envolviam as três campanhas seguintes.
>As três hipóteses primárias eram:
>1-) A Burning Legion seria vitoriosa, e os Undead triunfariam sobre as demais raças, com uma reviravolta deixada para a expansão.
>2-) Os Night Elves recuperariam as suas forças a tempo e derrotariam os demônios como fizeram milênios atrás, e;
>3-) Os Orcs, aproveitando o tempo em que a Burning Legion atacava sua maior ameaça, os Elfos, iria dar o golpe fatal em um exército de demônios exaurido pela guerra.
Analisando as hipóteses, poderÃamos dizer que a primeira deixa um gosto amargo de Brood War em nossas bocas, a segunda seria quase um replay do que aconteceu milênios atrás e a terceira seria a proposta inesperada.
O tempo nos mostrou que a Blizzard escolheu o replay.
Por alguns motivos essa escolha me desagradou profundamente. Essa linha de história é a mais óbvia, e é o que todos imaginavam assim que a raça dos Night Elves foi descrita pela primeira vez pela Blizzard. Assim, a campanha poderia ser até bastante divertida e suas missões bem estruturadas, mas a história não teria nenhuma reviravolta excitante. No caso, eu diria que a corrupção do Arthas era bastante esperada, mas mesmo sendo óbvia, foi bem trabalhada na campanha.
A minha hipótese favorita era a dos Orcs como os algozes dos demônios. Basicamente isso seria bastante de acordo com os novos orcs, que desistiram da corrupção de seus lÃderes mais recentes para buscar a redenção em uma longa e esquecida raiz shamanÃstica. A campanha deles enfatizaria as dificuldades da mudança, e as tentações da volta. No final, a destruição dos demônios, mesmo sob grande perda, seria a redenção dos Orcs e a liberdade para seguir seu destino com seus próprios passos.
>Claro, alguns dos pontos que eu citei foram abordados, e o vÃdeo do final da campanha Orc é um dos mais impressionantes de Warcraft 3, mas mesmo tendo alcançado a liberdade, a sensação foi diferentes. Se eles tivessem destruÃdo a Burning Legion, os orcs teriam subido de criaturas vis e malignas a HERÓIS. Seria a transformação dos Monstros-Verdes-e-Dentudos-que-Dizem-Dabu para uma verdadeira raça e povo, com sua própria identidade.
Tudo bem, eu aceito o fato dos Orcs não terem atingido toda a sua glória em War3, mas na expansão eles deveriam cumprir sua última tarefa: Eliminar Nerzhul, o ex-chefe orc que havia sido escolhido pela Burning Legion para liderar a destruição do mundo pelos Undead e preparar o terreno para a chegada dos grandes demônios generais. Os orcs JAMAIS permitiriam essa última mancha e ligação deles com a corrupção demonÃaca. Após longas sagas dos Night Elves, Undead e Humanos que descreveriam as verdadeiras intenções de Arthas, as tentativas de Jaina de trazer seu amado de volta à luz e a destruição total da alma de Illidan, cujo corpo seria o receptáculo perfeito para a alma de Nerzhul, cuja essência essência se encontrava presa dentro do Trono Congelado de Northrend, os Orcs viriam para limpar a última marca da corrupção de sua raça.
>MAS NÃÃÃÃOOO. A Blizzard mais uma vez evitou levar os Orcs para o próximo estágio de seu crescimento como um povo e ir além nas convicções de seu novo chefe para uma nova existência dos Orcs no mundo, para dar a eles uma campanha totalmente desvinculada das outras três.
De acordo com uma entrevista na Gamespy, as campanhas serão na seguinte seqüência: Night Elves, Humanos e Undead, com os Orcs em uma campanha separada. Você pode ler Brood War nessa seqüência? É a velha Protoss-Humanos-Zerg novamente! Outra vez a raça maligna vai sair por cima na expansão. Kerrigan vencendo outra vez! Parece que a história está fadada a Arthas subindo como o lÃder absoluto dos Undead, preparando o cenário em definitivo para World of Warcraft.
Claro, eu estou sendo extremamente pessimista nesta análise, e isso basicamente não interessa para muita gente, mas quando a fez Starcraft, subindo assim o patamar de qualidade para todos as campanhas de RTS daà em diante, era de se esperar que isso acontecesse de novo, e uma fantástica e nova história fosse se desenrolar aos cliques de nossos mouses.
Dito isso, The Frozen Throne deve estar aproximadamente ao fim de seu processo Alfa, e as inscrições para o Beta Test devem se realizar no final de fevereiro. Ainda há tempo para as coisas mudarem, e nada está gravado em rocha. Vamos todos esperar que a Blizzard tenha um pouco de juÃzo em sua cabeça, e exija um pouco mais de seu roteirista do que reescrever Brood War todo de novo mudando apenas os nomes.





