O nome “Turok” exprime diferentes expressões às pessoas. Os mais velhinhos
podem se lembrar dos gibis que saíram lá nos anos 50, mas acho que a maioria aqui deve conhece-lo por Turok: Dinosaur Hunter de Nintendo 64, que gerou legiões de fãs e se consolidou como uma experiência única na época. Pois bem, não é que chega uma seqüência fresquinha para a série que promete abalar no XBOX 360 e PS3? Mas, e agora, será que ela superou as expectativas dos seus fãs sedentos ou terá sido, como tantas outras series que se tentou revitalizar, “um fracasso”? Quem viver para ler, saberá…

Como está a temporada de caça a répteis jurássicos?
Antes de mais nada, definamos uma coisa: estamos falando de um jogo de tiro em primeira pessoa baseado em sobrevivência feito sob a engine Unreal 3 (que inclusive está sendo portada ao Wii) que apresenta tiroteio não apenas contra monstrinhos engraçadinhos ou soldados de forças inimigas. Turok resgata a ficção científica que desde Jurassic Park estava em posição de cheque, trazendo a nossos consoles nada mais nada menos que: dinossauros.

No jogo, você comanda Joseph Turok que foi convidado a fazer parte de um esquadrão de elite devido a sua experiência anterior com o novo alvo do mesmo que você já deve ter subentendido qual é (ou terá de procurar um médico porque falei dele a poucas linhas). Aqui fica uma ironia gigantesca aos produtores da seqüência de Turok do 64. É simples dizer que Joseph tem de se abaixar e beijar os pés de Turok (sim esse é o nome do personagem do primeiro jogo, dá-lhe originalidade), pois ele come poeira ao ser comparado ao protagonista do título antecessor. Por quê? Digamos que ele é meio frouxo, meio emo, e que tem tanta atitude quanto teria um pedaço de madeira. Na verdade, isso é bem comum no jogo inteiro, personagens “machões” e musculosos a la filmes de Hollywood sem um pingo de qualquer personalidade visível ao jogador. Ver seu personagem comer quietinho depois de tirarem umas quantas com a cara dele logo no início do jogo é deprimente e tira uma bela porção de emoção aos jogadores veteranos da série.

É legal pensar que o jogo possui dezenas de tipos inimigos diferentes com características próprias ( não tem só dinossauro não), algumas impressionantes e algumas nem tanto, mas quando pensamos na inteligência artificial, vemos que cagaram feio nesse quesito. Como diria um amigo: “eita bicho burro”. Essa frase expressa o pensamento que correrá rapidamente na mente dos jogadores mais experientes ao sentirem o jogo na pele.

Ainda choca o quão descompassado o jogo pode parecer. Às vezes você se vê tão cheio de inimigos à sua volta que é difícil jogar e respirar ao mesmo tempo, já em outros momentos, o jogo dá sono (e falo sério) sendo composto apenas de cenários sem muita novidade a explorar, já que os caminhos abertos camuflam, mas não escondem que o jogo é expressivamente linear. Enfim, o jogo só começa a se tornar aceitavelmente difícil um pouco depois da metade e mesmo assim a baixa inteligência dos inimigos somada à péssima distribuição de checkpoints tornam a experiência do jogo um pouco dramática e, porque não, traumática.
Dinossauros na TV, não via isso desde Jurassic Park!
Quem teve a bela oportunidade de ver o jogo rodando nas duas plataformas concorrentes no mercado de gráficos next-gen pode perceber que a versão desenvolvida para a caixa quente da Microsoft ficou deveras superior à versão para o grill da Sony. Sim, é mais do que perceptível o fato de que a versão desenvolvida para o XBOX 360 possui texturas super bem trabalhadas que estão um nível além das vistas no Playstation 3. Na realidade, a versão para o grill sofre com slowdowns comprometedores em certos momentos do jogo.

Mas deixando a guerrinha entre versões de lado, é interessante destacar a espécie de liberdade imposta pelo jogo. Esqueça aquele efeito “corra de uma porta à outra matando todo mundo pela frente porque esse é seu único caminho”, apresentado por Kingdom Under Fire (veja nossa videoanalise), por exemplo. Também esquece, você não vai encontrar algo totalmente não linear, mas o abandono dessa idéia mais do que ultrapassada já demonstra, no mínimo, um avanço na concepção dos designers de jogos e isso pode acarretar em jogos bem mais dinâmicos no futuro.

Já graficamente falando, não espere ver os melhores gráficos do console ou algo do gênero, até porque esse não é o propósito deste jogo, mas espere ver um jogo totalmente focado em uma flora bem construída e em constante movimento, principalmente quanto à vegetação no solo que se move quando você passa por ela. Isso somado aos efeitos de nevoeiro e chuvisco, por exemplo, geram aquele clima arrepiante que vem a ser a premissa deste jogo em particular.

Falando-se na trilha sonora, é perceptível que o estúdio lhe reservou uma atenção deveras especial. Sons arrepiantes e frenéticos foram bem dispostos e regados a uma brilhante dublagem feita por nomes conhecidos e admirados; os efeitos sonoros então? Perfeitos, desde o arrepiante som do cume da navalha de sua faca cortando a sensível carapuça de órgãos de seus inimigos até os penetrantes e inquietantes guinchos dos dinossauros. Na questão sonora, é absoluto o entendimento de que tudo é tão bem desenvolvido que chega a dar um frio na alma.
Um dinossauro incomoda muita gente…
No fim das contas, Turok é uma belo regresso para a série, claro que tem suas falhas e limitações mas possui uma bela história e gameplay, talvez falte uma direção mais apropriada pensando em inovar alguns aspectos e se aprimorar em outros, como a inteligência artificial dos inimigos e a imposição de personalidade menos “nula” nos personagens.

Gráficos razoáveis, uma trilha Sonora fantástica, uma jogabilidade que deixa pouco a desejar, uma história convincente e interessante. Turok é um belo título FPS para os consoles next-gen que mostra que o pessoal da Propaganda Games ainda tem o taco para a criação de um belo e envolvente ambiente gamístico. Quer uma dica? Se você jogou Turok no 64, jogue esta versão, você certamente não se arrependerá e se não jogou, tanto faz, o jogo ainda pode surpreender você.
Um emo?Até tu Turok?!!!
Parece ser bom , mas acho q eles poderiam fazer melhor. Tipo um extra multiplayer q vc controla um dinossauro!! ai seria massa.