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Adventure com "stylus"
Trace Memory é o típico jogo que você pode esperar de um adventure: exploração, investigação, muitas falas e diversos quebra-cabeças. Tudo isso feito com bons gráficos que mesclam 2D e 3D, uma história cativante sob um manto de mistério e um ótimo uso das características do Nintendo DS. Os eventos da trama giram em torno de uma garota que acreditava ser orfã, chamada Ashley Mizuki Robbins, que na véspera de seu aniversário de 14 anos recebe uma encomenda de seu suposto falecido pai. Dentro dessa encomenda há um dispositivo eletrônico (qualquer semelhança com o Nintendo DS não é mera coincidência) e uma carta convidando-a para um encontro. Para isso, ela e sua tia partem de barco rumo ao local marcado, a misteriosa ilha Blood Edward.
Chegando lá, Ashley fica no barco enquanto sua tia Jessica sai em busca de seu pai pelas redondezas. Mas ela demora para voltar e a garota resolve se mexer. Carregando o dispositivo que seu pai lhe enviara, o Dual Trace System (DTS), de uso exclusivo de Ashley, ela parte para tentar desvendar o mistério por trás dos acontecimentos. Esse dispositivo DTS é uma criação de seu pai, um cientista especializado na mente humana, e possui uma enorme relação com a trama, sendo utilizado nas investigações, como ler cartões de memória espalhados pelo cenário e tirar fotos (algo extremamente importante na resolução de alguns quebra-cabeças), entre outras coisas que não mencionarei aqui para não causar spoilers desnecessários.
Na ilha, Ashley acaba conhecendo um garoto-espírito chamado D, sem lembranças de sua vida passada, cujo peito é marcado por uma estranha runa. Juntos numa jornada em busca de respostas, eles acabam criando uma forte amizade. Conforme Ashley vai adentrando na ilha e na grande mansão da família Edward, o principal cenário do jogo, D vai se lembrando de sua vida, envolvendo ainda mais o jogador na história, e fazendo com que surja aquela vontade de jogar mais cinco minutinhos antes de dormir.
Você controla Ashley na tela debaixo do Nintendo DS, com a câmera vista de cima, o que atrapalha um pouco a jogabilidade e a visualização de onde estamos. Conforme atravessamos os cenários, a tela superior vai mostrando belas imagens estáticas em 2D, ricas em detalhes, que correspondem à visão da garota. Em determinados pontos é possível interagir com esse cenário. Isso ocorre quando uma pequena lupa disposta no canto da tela se ilumina, nos dando a opção de vasculhar tudo mais precisamente. Dessa forma, o uso da caneta Stylus é fundamental e muita, mas muita paciência, para clicar em tudo o que nos é mostrado, como um bom adventure que se preze. Um pequeno exemplo dessa interação é quando chegamos a uma ponte em que precisamos girar uma manivela para fazer com que ela desça para podermos atravessá-la.
É necessário fazer movimentos circulares com a Stylus na manivela para que isso aconteça. Outro ponto interessante é quando precisamos esfregar a caneta na tela para limparmos uma placa de bronze e assim lermos o que está escrito. São essas sacadas que deixam o game realmente divertido e original. Ainda temos jogos de encaixe, portas trancadas por senhas, chaves escondidas, jogos de reflexos e outras coisas que somente o seu raciocínio e a exploração do console e dos cenários em sua totalidade podem te ajudar, que é extremamente genioso e sem dúvida o ponto forte do game.
A música mantém o clima, apesar de pouco diversificada. Em alguns momentos possui melodias bonitas, em outros desejamos desligá-la. Nas cenas-chave do game, ela faz um bom trabalho, mesmo sem empolgar. Os efeitos sonoros mereciam um acabamento melhor. As falas possuem efeitos irritantes e o barulho dos passos de Ashley, apesar de variar conforme o piso, são claramente superficiais, mesmo para um console portátil. Tirando esses dois pontos críticos, o som no geral é razoavelmente convincente, principalmente para quem não é muito rigoroso nesse quesito.Trace Memory é um bom adventure, desenvolvido pela desconhecida e competente Cing, com quebra-cabeças geniosos e uma intrigante história.
Mesmo sendo lento em algumas partes, o desenrolar da trama prossegue em boa forma durante as 5 horas gastas em média para terminá-lo. Apesar do fator ‘replay’ ser extremamente baixo, com somente alguns ‘easter eggs’ de bônus e dois finais (que não falarei aqui para não perder a graça), os fãs de um bom adventure certamente não se decepcionarão. Ah, o site oficial (www.tracememory.com) é imperdível. Está aí uma boa pedida!











