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Strider

Postado por Alucard em segunda-feira 14 setembro 2009 as 1:55
Arquivos sobre: Análises e Megadrive


O ninja da Capcom em sua era de ouro




Se você parou por aqui ou foi movido pela nostalgia ou pela curiosidade, mas seja lá qual for o motivo, você não vai se arrepender. Esses dias enquanto eu jogava Murasama: The Demon Blade para Wii (leia nossa análise aqui) fiquei com uma p*&¨% vontade de jogar Strider, do Mega Drive. O estilão 2D de Murasama instigou minhas células nostálgicas e então fui lá relembrar meus velhos tempos de Strider. Afinal, não foram apenas Joe Musashi e Ryu Hayabusa (da série Shinobi e Ninja Gaiden respectivamente) os únicos ninjas famosos dos games. Como de praxe, vamos antes falar da produção e origem do jogo Strider.


Final dos anos 80, na minha modesta opinião a era de ouro da história dos videogames, um ano antes de fazer sua estreia nos arcades em 1989, pelas competentes mãos da Capcom (ainda sem a gloriosa fama de SF2), Hiryu (o personagem principal de Strider) apareceu no mangá Strider Hiryu, que mostra de maneira mais profunda a vida do ninja antes dos games. Publicado pela famosa editora Kadokawa Shoten de maio a outubro de 1988, a série foi desenhada por Tatsumi Wada e escrita por Tetsuo Shiba, artistas não muito conhecidos, em parceria com a Capcom, que estava para lançar um jogo para Nes (o nintendinho 8 bits) baseado no mangá. Porém durante o desenvolvimento do jogo, a Capcom ficou mais ambiciosa e empolgada e tomou a feliz decisão de transferir o projeto para sair em arcades e cancelou a versão nintendinho (que acabou sendo lançada mais tarde, mas o jogo é terrível de ruim). O mangá conta uma história ambientada no futuro, com uma organização de ninjas chamada Strider, que luta pelo bem do mundo.

O arcade foi lançado e se você foi um feliz gamer de "flipers" daquela época deve se lembrar do estrondoso sucesso que Strider fazia, com uma ação frenética, ótimos gráficos e vozes digitalizadas. Porém a versão arcade não era fiel ao mangá e muita coisa na história foi mudada, ficando bem menos desenvolvida, mas apresentava estágios sensacionais, como a fuga de explosivos da Sibéria, salas antigravitacionais e  pasmem, até um T-Rex tecnorgânico na Amazônia. Com o sucesso absurdo, o jogo logo ganhou várias versões para diversos videogames e computadores da época, mas a maioria tudo um lixo. O port para o computador japonês X68000 é tida como a mais perfeita, mas ficou restrito ao Japão e foi no Mega Drive que o jogo se tornou um sucesso a nível mundial.



o visual de Hiryu no mangá… bem diferente do que sairia no arcade


Certamente quem é da época lembra das propagandas de Strider para Mega Drive, um "jogo revolucionário com incríveis 8 Mb" – esse era um dos slogans do jogo e provavelmente foi o primeiro cartucho de 8Mb em um videogame. E realmente o jogo era bem incrível, recebeu muitos prêmios na época e era muito próximo da versão arcade, com sprites grandes e bem definidos e uma ótima jogabilidade e músicas. A versão para Mega Drive era realmente como se tivesse o arcade em casa, ou pelo menos algo muito próximo disso. Jogos como Strider, Altered Beast, Golden Axe e Shinobi eram exemplos de ótimas conversões caseiras para um console doméstico, de famosos jogos de arcade o que foi motivo para muita gente comprar o aparelho (e motivo de festa para o pessoal de marketing da Sega).

Um tempo depois Strider recebeu uma continuação bem ordinária, que não foi produzida pela Capcom mas pela US Gold. O jogo era tão ruim que foi mal recebido e não fez sucesso algum. Em 1999 a Capcom lançaria oficialmente Strider 2 para arcades, esse sim um jogaço que ganhou uma versão para playstation. Este foi o último game estrelado por Strider Hiryu, mas ele também aparece como personagem jogável em jogos de luta como Marvel vs Capcom, entre outros da empresa. Então se você é fã de jogos de luta e nunca soube da onde veio o tal do Strider Hiryu, está aí toda a origem do ninja da Capcom.



esse é o design atual de Hiryu, mais parecido com o original do mangá


A História

Em 2048 um pequeno país da Europa conhecido como Kafazu está dominado por um misterioso exército, que começa a controlar toda a Europa e outros continentes. O líder desse exército é conhecido como Grandmaster Meio (uma espécie de Imperador Palpatine). Hiryu, o mais jovem e forte do grupo Strider é escolhido para deter Meio. Você começa o game os céus de Kafazu (segundo o manual do jogo, mas na tela aparece Cazaquistão), onde o caos começou, em meio a som de alarmes e o exército atrás de você. O maligno Grandmaster Meio planeja governar o mundo de sua estação espacial, construída entre a Terra e a lua.





O Game

Graficamente Strider é muito belo, para os padrões da época, e quase idêntico ao arcade. Muito pouco foi perdido na conversão, como alguns trechos backgrounds que foram eliminados, as vozes digitalizadas foram removidas, uma barra preta no topo da tela, mas fora isso era como jogar a versão de arcade. Imaginem uma época que os melhores jogos eram do nintendinho 8 Bits, que de longe se pareciam com os jogos de arcade. Então surge um console caseiro que apresenta games com um visual muito próximo aos dos arcades.



aqui começa sua aventura no futuro


Foi uma sensação e tanto, e Strider foi um dos games percussores dessa nova geração. A Sega fez um bom trabalho no game (a Capcom tinha contrato de exclusividade com a Nintendo, por isso terceirizou Strider para a Sega), criando sprites grandes dos personagens, visualmente bem animado e bem fiel ao original. Por vezes pode aparentar um visual meio bizarro, como o design dos inimigos de Hiryu, que lembram um pouco o exército russo. Mas isso já veio do original, que na época em que foi lançado ainda havia a Guerra Fria, então basicamente você luta contra os comunistas, tem até um inimigo no game que é irmão gêmeo de Mikhail Gorbachev pra se ter idéia. O primeiro chefe do jogo usa como armas uma foice e um martelo, símbolos do comunismo presentes na bandeira soivética. Além deles há robôs com designs bem bacanas, alguns que até se parecem o Ed-209 (aquele robozão bacana de Robocop 2) e outros brinquedinhos mecânicos espalhados pelas fases. Os chefes são um espetáculo de criatividade e design, como a serpente robótica, um gorila mecânico, porém o mais impressionante de todos é o campo gravitacional, em que Hiryu fica girando em torno do núcleo.



um dos melhores momentos do game, correndo as montanhas da Sibéria


Como um ninja do futuro, Hiryu é muito habilidoso e ágil, usa como arma a Cipher, uma espécie de tonfa de plasma, que durante seu caminho pode ficar mais forte com power-ups. Você também contará com a ajuda dos droides "Options", na forma de cogumelo (na falta de algo melhor como comparação), uma águia e uma pantera, que lhe ajudarão a matar os inimigos. Mas certamente o maior barato de Strider é o de Hiryu ser praticamente o Homem-Aranha, podendo escalar paredes e teto. A jogabilidade é excelente e muito fácil de se controlar, Hiryu pode ainda dar umas rasteiras, para passar por lugares estreitos ou acertar inimigos.

Todas as 5 fases do arcade estão presentes no Mega Drive. Você começa na cidade de Kafazu, depois passa pelas montanhas gélidas da Sibéria, depois voando na Fortaleza Voadora de Balrog, nas selvas da Amazônia (com belas amazonas pulando pelas árvores e dinossauros pelo caminho… pessoal devia ter bebido muito sakê…) e por final a fortaleza no espaço de Grandmaster Meio.




A trilha sonora é muito boa e casa bem com a ação intensa de Strider e muda diversas vezes enquanto você joga uma determinada fase, dando mais atmosfera e dramaticidade ao clima do game. (a minha preferida é a da primeira fase). Os efeitos sonoros são vários e bem produzidos, como explosões, tiros, e sirenes de alarmes, mas o som repetitivo produzido por sua arma pode não agradar depois de um tempo.

Mas nem tudo é lindo e maravilhoso em Strider, então agora vamos aos seus defeitos. Pra começar, o jogo é MUITO curto, mesmo para os padrões dos anos 80. As cinco fases passam voando, em meia hora no máximo você termina o game. Possui alguns slowdowns e umas falhas gráficas, mas nada que incomode. Fora isso, o game não apresenta muitos defeitos, se fosse mais longo ou tivesse extras, seria um jogo perfeito.






Conclusão: Um clássico dos arcades. Um clássico no Mega Drive.  Strider foi um dos primeiros games com um visual arcade dentro do conforto da sua casa, que em certa época marcou toda uma geração de gamers. Ótimos gráficos, visual futurista, uma jogabilidade frenética e uma boa trilha sonora fazem de Strider um verdadeiro campeão em seu Mega Drive, apesar de ser muito curto. Agora é só torcer pela Capcom fazer um revival desse personagem que tem muito potencial para grandes games solo no futuro. E que ele continue cortando seus inimigos no meio, pois é isso que Hiryu sempre fez de melhor e continuará fazendo.


Análise por Alucard


Strider Hiryu: the best fuckin ninja from Capcom


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20 Comentários para 'Strider'

  1.  
    14 setembro, 2009 | 2:08
     

    gostei do visual futuristico do jogo! acredita que eu nunca joguei? deu vontade de jogar uns clássicos do megadrive, esse estará na lista, fiquei interessado em conhece-lo.

  2.  
    14 setembro, 2009 | 2:27
     

    Pode jogar que você vai curtir Victor, Strider é um clássico que todo bom gamer deveria conhecer ;)

  3.  
    14 setembro, 2009 | 2:46
     

    [...] This post was mentioned on Twitter by Guri de Apê. Guri de Apê said: [GameHall] Strider http://bit.ly/EQADy [...]

  4.  
    Ítalo Torres Ãtalo Torres
    14 setembro, 2009 | 19:30
     

    Puxa… deu ate vontade de jogar novamente !

  5.  
    sephirothisgod sephirothisgod
    14 setembro, 2009 | 21:26
     

    otima analise, realmente acendeu a nostalgia que estava adormecida em mim…..
    só uma pena eu possuir a versão de mega drive…o jeito é jogar no capcom classics do psp….
    parabens pela analise alucard

  6.  
    Flavio Flavio
    14 setembro, 2009 | 22:00
     

    sou velho de 28 anos, e Strider foi o primeiro cartucho que entrou no meu Mega drive, era emprestado de um amigo que ja tinha vários, na época nem sabíamos o que era pirataria, tudo original, alguns lançamntos alugávamos na sexta e devolvíamos na segunda….rs, se fosse bom, ele comprava do japão por familiares, isso faz tempo, tinha 11 anos de idade, o Mega Drive Japones com joy de 3 botões original, ainda está comigo, com a caixa original e com direito a caixinha TV/Video, posteriormente substiuída pelo lançamento cabo URF pra video cassete, e funcionando, Strider traz boas lembranças, um abraço a todo que escreveram um comentário.

  7.  
    Ricardo Ricardo
    15 setembro, 2009 | 0:44
     

    Jogão …. esse jogo fazia eu ter inveja do Mega … ainda bem q na época era comum a troca de videogame com os amigos …. e tive o prazer de jogar essa maravilha

  8.  
    clubbass clubbass
    15 setembro, 2009 | 9:22
     

    apesar de ter tido um MD não cheguei a jogar no proprio VG, mas tive uma boa ideia de como era pelo emulador….otimo game, após alguns anos acabei jogando a versão do PS2 que é bem fiel ao estilo 2D.

    Com certeza um game para ser lembrado por muito tempo.

  9.  
    Daniel Daniel
    15 setembro, 2009 | 10:01
     

    Apenas descordo do autor que a era de ouro dos videogames era no final dos anos 80. A chamada “era de ouro” muda de acordo com a idade de cada um, e vários fatores individuais influenciam esse mito.
    Apesar da recessão dos videogames (que não concordo tanto também), atualmente o mercado está muito melhor desenvolvido e lançamentos de bons jogos são muito mais frequentes. Discordar disso é saudosismo.
    Fora isso, ótima análise.

  10.  
    casa_torta casa_torta
    15 setembro, 2009 | 11:25
     

    Mesmo tendo jogado Shadow of the Colossus, do PS2, não tenho dúvidas em afirmar que o terceiro chefe de Strider (o do campo gravitacional) é o melhor chefe de games que eu enfrentei em toda a minha vida. Espetacular e fabuloso são definições ainda distantes da qual eu tenho para esse chefe. Eu jogo Strider até hoje somente pra enfrentar esse chefe, depois eu continuo o game dependendo do estado de espírito…

  11.  
    15 setembro, 2009 | 13:08
     

    Daniel, como eu disse na análise, “na minha modesta opinião”, ou seja, para cada um tem a sua “era de ouro”, e na minha foi justamente no final dos anos 80 e e metade dos 90, com a guerra Sega vs Nintendo. Hoje em dia temos bons jogos sim, mas é uma realidade totalmente diferente, quem viveu naquela época sabe disso. Abraços.

  12.  
    David David
    15 setembro, 2009 | 15:26
     

    Animal. Simplesmente animal!
    A primeira vez que joguei Strider foi em 1992, no meu queridíssimo mega drive.
    Parabéns pelo artigo!

  13.  
    15 setembro, 2009 | 18:16
     

    Faltou colocar o Strider de NES, que na minha opinião é melhor que o de MD, o de arcade, o segundo Strider para Mega Drive e o Strider 2 de PlayStation, ótimo também.

  14.  
    15 setembro, 2009 | 21:07
     

    Apesar de ter jogado Strider na época do fliperama e no próprio Mega Drive e considerar o jogo um grande avanço para a época, o jogo possui inúmeros bugs. Muitos mesmo. Propositais ou não. A versão do Mega Drive é uma das mais repletas de bugs, tanto que em TAS videos o jogo é amplamente explorado os erros de programação. É sem sombra de dúvidas o jogo com mais erros de programação produzidos pela CAPCOM. Mas apesar disso, é um jogo inesquecível, um verdadeiro clássico.

  15.  
    dreamcatcher dreamcatcher
    16 setembro, 2009 | 0:18
     

    quanto saudosismo, eu tenho 31, e como fã de ninjas, tendo SHINOBI como maior influência, e claro NINJA GAIDEN (que ressuscitaram em grande estilo, pena que o mesmo não aconteceu com SHINOBI), gostei muito do seu review, STRIDER é clássico, curto sim, mas naquela época não tinha essa preocupação pode ter certeza disso. A SEGA fez uma ótima conversão desse ARCADE. RECOMENDADÃSSIMO.

  16.  
    Tomaz Tomaz
    16 setembro, 2009 | 21:21
     

    Po joguei isso no Fliperama depois no mega.. só que a versão do fliper era um pouco melhor hee, strider 2 pra mim não foi tão legal quanto o primeiro ^^

  17.  
    Bridy Bridy
    16 setembro, 2009 | 22:18
     

    Acho que deveriam experimentar fazer algo 2D do Strider em algum portátil. Algo meio no seguimento RPG do castelvania, mas com combos rápidos cheios de hits, afinal ele é um ninja. Jogaço, apanhei muito da versão de Master System :P

  18.  
    Hendrix Hendrix
    20 setembro, 2009 | 16:18
     

    Boa Alucard!Mais um jogo matador!Joguei pracaraio nas locadoras da vida.Também faz anos que eu quero conferir Strider 2 do PSX.
    Alias, notei que tu andas um tanto inspirado, lançando um monte de análises.Então digas,quando afinal de contas, sai a análise de xenogears?

  19.  
    Kadaj Kadaj
    30 setembro, 2009 | 22:34
     

    Apenas uma correção: ED-209 é aquele robozão bacana do Robocop 1.

  20.  
    1 outubro, 2009 | 2:00
     

    Na verdade o Ed209 aparece em todos os 3 filmes, citei o segundo apenas por gosto pessoal….. é o meu favorito da trilogia….

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