
Evento reúne profissionais e gamers.
Durante a semana de 28 de Maio a 2 de Junho, o SENAC de São Paulo promoveu em suas unidades eventos e debates sobre games. Enquanto as unidades da Consolação e Lapa Tito organizavam a terceira edição do UNIVERSO GAMES, foi a vez da unidade Santo Amaro ser palco de um novo evento: O GAMES & SOCIEDADE, somente nos dias 1 e 2 de Junho. Sob supervisão do Prof. Roger Tavares do curso de mídias digitais, o evento era voltado para jogadores, pais e, principalmente, para debates entre pessoas que trabalham nessa área. Como designers, programadores (e seus respectivos aprendizes), educadores que trabalham com o tema, músicos, jornalistas de games e aspirantes (que é o meu caso). O campus possui um bom espaço físico e proporcionou cinco áreas bem divididas: área CORPO (voltada para movimentação corporal), área ARTE (para exposição de trabalhos de programadores), o PALCO (com show da banda 8 bit, que me concedeu uma pequena entrevista) , área PRÓ GAMER (com pequenas lan houses) e área NERD (é isso mesmo que você leu, área NERD, e até agora não entendi porque).
Para participar, não era necessário pagar nada, somente fazer a inscrição pela Internet e doar 2 quilos de alimento não – perecível, que seriam utilizados para doação. Na realidade, exceto a comida, nada mais era pago em todo o campus. As pessoas poderiam jogar á vontade qualquer game que estivesse disponibilizado para testes. E não somente jogar, mas também levar para casa, pois todos os jogos eram games freeware, que eram distribuídos gratuitamente por Igor Antunes e Ricardo Bosquette do Games Gourmet. Dentre esses jogos, Frets on FireFrets on Fire Team, nasceu diretamente de Guitar Hero 2. Segurando o teclado do computador na posição vertical, como a guitarra para jogar Guitar Hero, os comandos descem a tela, assim como estamos acostumados a fazer no PlayStation 2 ou no Xbox 360. Dessa forma, as teclas servem de acordes e palhetada. Outros games, que iam desde 1,5 MB até 700 MB, também foram distribuídos pela dupla, que gravava em um CD-r ou em um pen drive os games escolhidos em um cardápio, daí o nome Games Gourmet. Claro que aproveitei e peguei alguns games para mim enquanto conversava com os caras. “Temos como intuito, mostrar para todo mundo que é possível jogar e se divertir com games freeware, fáceis de encontrar na Internet” comenta Igor. Sobre a gratuidade do evento, Igor ainda brinca: “Nesse evento tudo é grátis, exceto a comida, mas pode ser que role um pipoqueiro por aí (risos).”. chamou a atenção de muitos. Esse game, desenvolvido pela
Outro jogo que chamou bastante atenção foi o we AR dancin’, desenvolvido por três alunos da escola politécnica da USP. O game consiste em dançar músicas famosas desde Blink 182 até Beyoncé com um tipo de sensor em forma de placa, acoplado ás mão e joelhos do jogador, esses sensores deveriam corresponder á pontos que são projetados na tela. Thiago Moreira, Fernando Tsuda e Paula Hokama, são os produtores do game, e Thiago explica melhor: “Essa tecnologia chama-se realidade aumentada, que ao invés de utilizar o tapete ou outro tipo de dispositivo, utiliza apenas os movimentos do jogador. Selecionamos as músicas e criamos o game a partir de um engine, que é a base para o jogo, uma engine é literalmente o motor do jogo. Determinamos as coreografias e onde os pontos poderiam aparecer. Então a câmera digital capta os movimentos do jogador, e os transfere á tela.”
Outra atração do evento foi a demonstração da placa de vídeo GeForce 8800GTX, de 780 MB, parceria da NvidiaCooler Master. Como demonstração do poder da placa, havia um PC ligado com nada mais nada menos que Command & Conquer 3: Tiberium Wars. com a
Além de jogos, vários workshops, palestras e conversas com vários profissionais, também aconteceram. Em um desses encontros, o artista de games Ivan Garde, da Cativeiro Studios, conversou com outras pessoas também destinadas á criação de games. Sobre os assuntos discutidos, Ivan abordou a arte nos games: Games são arte? Até onde vai a arte nos games? A importância da captação visual. “Quem almeja ser um artista de games, não pode ter preconceitos artísticos. A pessoa deve se interessar por música, livros, cinema, teatro, algumas ciências, eu, por exemplo, gosto muito de história. E claro, essa pessoa deve jogar bastante, todos os gêneros, de todos os consoles.”
Jornalistas de games fizeram uma pequena conversa. David “Dolemes” (Game repórter), Leandro VitolinoGameLib) e Fabiano Onça (ex – Terra Games) conduziram uma conversa tão informal quanto um bate papo de boteco. Theo Azevedo (do UOL Jogos) também fora convidado, mas devido á uma febre de 40 graus, não pode comparecer. Nessa conversa, os jornalistas tocaram em vários assuntos de certa forma polêmicos: Os formatos do jornalismo brasileiro e do jornalismo gringo, o calendário brasileiro de games, games antigos e games atuais, e um questionamento: Afinal de contas, para quê serve um review? (
Para encerrar, a banda mineira 8 BIT tocou em média 50 minutos em um show muito legal. Já eram 18:00 quando á banda acabou de tocar , sob uma fina chuva. Na verdade, a chuva combinada com o frio de em média 13 graus, afastou uma parte do público do evento todo.
O evento mostrou-se com um propósito diferente de todos os outros, mostrar para todos, como é a vida de pessoas que fazem, falam e convivem com games por que gostam, e que é possível se divertir de forma simples, barata e objetiva.
Depois de tudo isso, as pálpebras de um aspirante a jornalista de games já pesavam mais de 400 toneladas cada uma. Era hora de ir para casa, registrar no computador tudo o que havia visto, fotografado, coletado e aprendido durante 11 horas de jornada “videogamistica”, cansado, mas, satisfeito, pois a primeira matéria a gente nunca esquece. Que coisa mais bela.
Por Gustavo Oliveira
Via Audiogame



