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Coração de Leão pulsando bem fraco
Certamente todos aqueles que são fãs de um bom RPG já ouviram falar da Black Isle Studios, autora de games sucesso de vendas como Baldur´s Gate, Icewind Dale e Fallout. Ela agora está trazendo para nós Lionheart, só que desta vez ela resolveu não se encarregar da produção do game e deixou este trabalho nas mãos da Reflexive Entertainment, uma empresa não muito conhecida. Na verdade ela só produziu cinco games até hoje, incluindo este. Bem, mas toda empresa começa com nada produzido certo? Só que infelizmente, nesse caso, eu acho que a Black Isle é que devia ter tomado as rédias de produção. Não estou dizendo que o trabalho da Reflexive foi ruim, mas bom, mais a seguir vocês verão com mais detalhes o porque deste comentário.
Em Lionheart foi adotado o sistema de regras SPECIAL, o mesmo utilizado otimamente em Fallout 1 e 2. E devo dizer que ele foi bem adaptado neste game, pois as possibilidades na hora de se criar o personagem são bem diversas. Skills, tanto ativas quanto passivas, é o que não falta.
A estória do game é de longe o melhor aspecto dele, pois mescla de uma forma muito agradável coisas que aconteceram de verdade no passado e acontecimentos fictícios, ou seja, que nunca ocorreram. Tudo começa no século XVI, onde durante a Terceira Crusada o Rei Ricardo Coração de Leão e Saladino esqueceram suas diferenças e resolveram unir forças para derrotar as forças do mal que estavam decaindo sobre o mundo. Claro que na história mesmo contada em livros, isto não aconteceu, mas oras, isto é um game então não amolem (:P). É então que você entra.
Muitos anos se passaram e as batalhas contra os demônios e espíritos do outro mundo ainda estavam bem presentes. Você então, aprisionado em um calabouço como um simples escravo, após quase ser assassinado por seus capatazes, descobre que existe em você um espírito guardião o qual lhe explica que você é um descendente de Rei Ricardo e este espírito ainda garante a possibilidade de você usar magia. Você então com uma pequena ajuda dele, foge da prisão e agora se encontra em Barcelona na Espanha, local aonde a sua aventura e jornada na busca da erradicação do mal que infesta o mundo, tem início.
Barcelona é um lugar muito vasto e isto você nota logo de cara. Ela é composta três distritos, cada qual com suas residências específicas. Bom, depois de você andar um pouco pela cidade, está na hora de escolher uma facção para a qual seu personagem deverá entrar. As principais e permanentes são as do Templar Knights e da Inquisição; as temporárias são a Ordem de Saladino e os Wielders. Cada facção tem suas próprias quests de iniciação, o que nos leva a um dos bons pontos de Lionheart. Existem diversas quests ao longo do game, quase todas compostas de várias outras subquests a serem feitas. Elas não são muito difíceis, bastando simplesmente que você preste atenção nos textos e tenha bons conhecimentos da língua inglesa. Com isso, dificilmente você irá ficar travado neste game, e olha que ele é bem longo.
O game não é composto somente de uma cidade, é claro. Mas falando francamente, à primeira vista eu não achava isto não. Demorei bastante tempo até poder ir para a segunda cidade, na França. Ah e durante as suas caminhadas pelos diversos locais do game, você irá encontrar personagens históricos bastante conhecidos, como Leonardo da Vinci, Shakespeare, Joana D´Arc, Hernan Cortes e muitos outros. Você irá precisar dar uma mão para eles em certas horas e eles em contra-partida também serão fundamentais para que você prossiga no game em certas horas.
Em relação a jogabilidade, o game está meio que em cima do muro. O sistema SPECIAL de Fallout caiu como uma luva nele, pois até mesmo o pessoal menos experiente em RPGs vai ter bastante facilidade na hora de distribuir os pontos das skills e afins. Entretanto, deixar seu personagem forte é bem demorado e depois de uma hora você acaba se cansando. Na hora de criar seu personagem, pense bem e escolha sabiamente as habilidades iniciais, raça do personagem, assim também como o espírito guardião mais adequado às suas necessidades. Se você for criar um guerreiro, deverá e muito se empenhar nas skills e especialidades próprias para ele. Nada de colocar pontos em skills que você não irá usar e eu falo sério, pois ganhar nível em Lionheart demora uma eternidade.
Falando mais da jogabilidade, é bem legal ficar clicando nos monstros e ir matando eles, no conhecido estilo hack´n slash. Mas sinceramente, depois de experimentar games como Diablo, Dungeon Siege e NOX e ficar mais do que animado com o modo de como as lutas ocorrem, isso acaba se tornando muito tedioso em Lionheart, pois dá para notar logo depois das primeiras batalhas que não existe nada de novo nesse estilo aqui e nem mesmo algo já existente que te prenda no game usando este fator. A qualidade gráfica de Lionheart é outro quesito que fica na balança, sem saber se cai mais para a esquerda ou direita. Embora as cidades e cenários do game estarem muito bem feitos, os gráficos estão com uma qualidade muito defasada.
Quero dizer, poxa gráficos assim eu via nos anos de 1999 e 2000. Hoje em dia esse tipo de imagem não pega mais. Ta certo que por causa disso não há necessidade nem mesmo de uma placa 3D para se jogar o game (8MB de memória compartilhada dão conta tranqüilo), mas isso acabou fazendo decair o que poderia ser um gráfico bem superior ao que o game apresenta. As CGs tem uma qualidade bem baixa, assim também como as screens em 3D que aparecem nas horas de Loading. Nada que qualquer pessoa com um conhecimento intermediário em 3DS MAX e Photoshop não consiga fazer com um pouco de esforço e dedicação. A animação dos personagens durante o game não estão muito belas também. Elas estão um tanto irreais demais. O fato de você não poder mudar a resolução, que fica sempre em 800×600, é algo ruim também, pois acaba prejudicando, por exemplo, o campo de visão de um personagem arqueiro que por conseqüência disso acaba afetando a jogabilidade.
Em relação aos sons, o game até que se sai melhor. A qualidade das falas dos personagens está muito bem feita e as músicas e efeitos sonoros estão legais. Entretanto, as músicas são repetitivas demais e depois de um tempo vão fazer você se cansar de ouvi-las. Existem alguns bugs em relação à eles também, que fazem com que certas horas algumas falas de personagens não sejam ditas. Aliás, não pense que todos os NPCs do game falam, pois somente os principais tem o dom da voz.
A IA de Lionheart está resumidamente boa. Você em certas horas arruma parceiros de grupo para lhe ajudar no game, só que infelizmente às vezes o seu personagem está precisando de uma mãozinha e o seu parceiro não faz coisas muito úteis em seu auxílio. O computador está inteligente, mas apresenta algumas falhas que podem ser usadas a favor do jogador, mas nada que comprometa o game em si.
Um bug em Lionheart que realmente me chamou a atenção foi um que me impedia de prosseguir no game, pois o NPC com o qual eu tinha de falar não mostrava a fala que eu precisava e, portanto, não era adicionada uma nova quest a ser feita e nem um local novo para eu ir. Descobri tudo isso indo ao fórum do game na Interplay, depois de passar um bom tempo andando de um lado para o outro tentando descobrir o que fazer. No fórum eu encontrei em um post um arquivo que um usuário havia criado e que resolvia o tal problema. O que de fato, ocorreu.
Falando do multiplayer, eu digo que ele não é muito atraente. Ele se trata somente da campanha do single player, só que podendo ser jogada por até quatro jogadores simultâneos e há também a vantagem de você poder morrer quantas vezes quiser. O lag lá nos servidores de Lionheart é muito grande também. Na verdade, o multiplayer deste game só seria bem aproveitado através de partidas via TCP/IP, o que felizmente está disponível, e que faz o lag diminuir bastante. Mas mesmo assim, não é algo o qual fará você ficar jogando mais o game depois de terminá-lo.
Bom, depois de mais de 20 horas jogando este game, eu digo que ele não é algo de se jogar fora, mas também não é um game pelo qual você vai criar muito afeto. Ele diverte por um tempinho, mas está muito pouco balanceado, o que é uma pena, pois sua estória é espetacular. Você curtiu Icewind Dale ou Baldur´s Gate e não está jogando nada no momento? Dê então uma olhadinha em Lionheart: Legacy of the Crusader, mas repito, não é um game pelo qual você vai se amarrar muito, mas talvez com um futuro patch ele até fique melhor.









