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A Herança de Kain tem mais um capítulo escrito.
Eu conheço esta série desde o lançamento de seu primeiro título em 1997. Fiquei maravilhado com o conteúdo rico e abrangente que o game proporcionava. Logo que Soul Reaver e Soul Reaver 2 saíram, fiquem ainda mais maravilhado, pois um novo personagem era introduzido na saga. Raziel. Aquele que era um dos Tenentes de um impiedoso Kain, viria a ser jogado no Abismo e então viraria o seu maior rival. Blood Omen 2 contava mais da saga, mostrando um pouco mais da estória de Kain depois que decidiu não abdicar da própria vida para salvar Nosgoth. Agora, mais uma página está sendo virada nesta que se tornou uma das mais carismáticas séries de games já feitas.
Em Legacy of Kain: Defiance, você poderá enfim desvendar o que houve com Raziel e Kain, logo após o final de Soul Reaver 2. Uma das novidades desta série é que você poderá controlar ambos os personagens, cada um seguindo um caminho distinto na trama que se desenrola ao longo do game, até que o caminho de ambos se cruzem e então…bom, para saber o que acontece, você precisará jogar o game não é mesmo?
Você começa com Kain, que se vê em sua caça contra aquele que ele no momento considera seu maior inimigo, Moebius. Mal sabe Kain, que os acontecimentos que ocorrerão com ele irão lhe mostrar uma verdade maior do que aquela que ele poderia querer suportar ver.
Raziel, preso no tempo passado, na época em que Kain ainda visava derrotar os guardiões dos Pilares de Nosgoth, se vê preso no Mundo Espiritual pelas mãos (ou digamos, tentáculos) de seu mestre, aquele que lhe salvou a vida no fatídico momento em que Kain lhe resolvera privar da vida, atirando-o no Abismo. Como Raziel, você agora deve escapar do confinamento imposto em você pelo seu mestre, para poder descobrir as respostas para as diversas perguntas que estão martelando a sua cabeça. Claro que, isso não será nada fácil, e algumas das respostas que Raziel encontrará, o levarão para um destino que nem mesmo o próprio Kain gostaria que ele tivesse.
Ficou curioso? Tenho certeza que se você é um fã desta série, deve estar muito ansioso para saber o que está destinado a acontecer com Kain e Raziel. A estória será bastante usufruída por aqueles que já tiveram a chance de terminar todos os games da série até o momento, mas assim como em Soul Reaver 2 existem partes dela que você ficará meio confuso caso não se apegue a todos os detalhes. No entanto, mesmo prestando bastante atenção em cada diálogo, que podem ser melhor entendidos já que o game conta com um suporte a legendas para aqueles que não tem um bom ouvido para o inglês, você acabará por se perder em alguma hora. Mas não se preocupem, apesar disso a estória se dá bem no final das contas.
Graficamente, Legacy of Kain: Defiance é o mais bonito game da série. Com efeitos de iluminação muito bem acabados e texturas bem definidas, neste game você não irá se desapontar com o visual. Kain e Raziel estão muito bem feitos e moldados, assim também como seus inimigos e aliados que aparecem a medida que o game prossegue. No PC, ao contrário da versão de consoles, há a possibilidade de múltiplas resoluções de tela, o que dá ao game mais um ponto positivo com relação a parte gráfica. Diferente dos gráficos vistos em Blood Omen 2, este game está visualmente muito bonito em todos os aspectos. Se você tiver um bom aparato para rodar o game, poderá desfrutar do aspecto visual dele com a qualidade máxima, sem nenhuma queda na taxa de quadros.
Falando da parte sonora, eu digo com exata certeza de que na parte dos vocais ela está soberba. Os atores que interpretam Kain e Raziel fizeram novamente um trabalho incrível na hora de dar suas vozes a estes dois carismáticos personagens. Entretanto, os efeitos sonoros estão um tanto fracos demais e as músicas tem poucas variações, sendo que algumas foram retiradas de games anteriores da série. Não que sejam ruins, mas deve ter faltado um pouco de dinheiro no orçamento para tal coisa ser feita ou simplesmente o pessoal da parte sonora técnica não estava com muita disposição ou criatividade para criar novas composições a altura das de Soul Reaver 1 e 2. E outra coisa, no Plano Espiritual de Raziel, não existe música, mas no entanto você pode ouvir vozes fantasmagóricas de uma mulher pedindo por ajuda. Isso no início é bem legal, mas depois de um tempo fica enjoado e você nem liga mais.
A jogabilidade de Legacy of Kain: Defiance é seu calcanhar de Aquiles. O sistema de câmera automática é simplesmente terrível. Não importa se você estiver usando um gamepad ou o teclado com mouse, isto vai te atrapalhar. A câmera em Defiance não é daquele tipo que fica fixa nas costas dos personagens, mas sim ela tende a dar uma visão panorâmica, tanto de lado quanto por cima, da área onde você está. Demora demais até que você se acostume a este tipo de câmera. Eu joguei o game até o final usando somente o teclado (o mouse é completamente dispensável) e me vi por diversas vezes errando pulos, virando na direção errada, devido ao problema da câmera. Na hora das batalhas ela até que fica melhor, pois você consegue ter uma vista geral de tudo ao seu redor, ou seja, pode ver na tela se um inimigo está atrás de você, do seu lado, sem nem precisar mover seu personagem.
Uma novidade em Defiance é a possibilidade de executar combos em corrente. Você pode estar cercado por inimigos, mas caso seja rápido poderá golpear todos eles sem nem sequer tomar um golpe. Existe também o fato de você poder dar um “upper” no seu adversário, fazendo ele voar em linha vertical, para que no ar você execute um combo nele. Não que isso seja algo necessário, mas é uma coisa que não existia nos games anteriores da série.
Tanto Raziel quanto Kain podem se alimentar de suas vítimas, o que aliás não vai faltar. Tem muitas almas e bastante sangue para saciar a fome deles até o final da jornada de ambos. Outra novidade são as chamadas Habilidades Especiais (Skills). A medida que você for matando seus inimigos, vai ganhando uma experiência e daí novos tipos de movimentos são desbloqueados para você executar. Eles se baseiam numa combinação muito simples de botões (frente + soco, frente + chute, etc) e em certas horas se mostram bastante úteis, mas não são assim tão necessários. Ambos os personagens devem também alimentar suas Soul Reavers para que elas possam executar ataques especiais, que variam de acordo com o elemento que ela está usando no momento (Fogo, Água, Tempo, etc).
Apesar de tudo isso, a jogabilidade é quase que toda arruinada pela câmera, que irrita você até o fim do game, mesmo com você se adaptando a ela.
A IA dos adversários se mostra boa quando eles estão agindo em grupo. No entanto, estes inimigos sozinhos são um tanto débeis e muito fáceis de serem abatidos. Quando você se habituar com a jogabilidade, conseguirá tranqüilamente liquidar diversos deles sem nenhum problema. Os únicos que dão um real trabalho são os Caçadores de Vampiro que Raziel enfrenta, devido a um deles ser um armário humano de tão forte e os outros terem armas de longo alcance.
Existem diversos quebra-cabeças para serem resolvidos no game. Alguns deles dão um pouco de trabalho, sendo que você às vezes poderá ficar meio preso no game até que consiga desvendar o mistério que se esconde atrás destes enigmas. Isso é muito bom, pois manteve um nível de dificuldade aceitável, já que as lutas não são difíceis.
Existem certos bônus que você vai desbloqueando a medida que joga, tais como fotos do “making of” do game, imagens inéditas dos títulos anteriores da série, em sua maioria composta de artworks e até mesmo fotos daqueles que tornaram Defiance uma realidade. Ao zerar o game, todo o conteúdo é desbloqueado.
Resumindo, Legacy of Kain: Defiance tem um aspecto visual muito belo, sendo o mais bonito dentre os game da série já feitos e conta também com uma qualidade vocal muito profissional. Entretanto, a jogabilidade escorrega forte devido ao confuso sistema de câmera que o game proporciona. Se não fossem por Kain, Raziel e a estória do game, eu não o aconselharia e teria dado uma nota final bem menor. Bom, mas caso você seja um fã da série, vá em frente e jogue. Mas já vou avisando, não espere por nada de estrondoso.









