Independentemente se você gostou ou não de Infinite Undiscovery, o título já deixa sua marca na indústria, especialmente para os fãs do Xbox 360. O motivo disso é o de Infinite Undiscovery ser uma tentativa da Microsoft de consolidar o seu console no exigente mercado japonês de RPGs. Para isso o game conta com nomes de peso em sua produção, como a gigante dos RPGs e dona de Final Fantasy, Square-Enix e a celebrada Tri-Ace, responsável de fenomenais sucessos como Star Ocean, Valkyrie Profile e a série Tales Of.
Personagens do jogo
Infinite Undiscovery é um jogo exclusivo para a plataforma da Microsoft, certamente uma estratégia que irá agradar mais aos fãs ocidentais do aparelho do que os nipônicos. Apesar disso, as vendas do game no Japão foram muito boas, vendendo em torno de 80 mil unidades em seu lançamento, o que já representa uma das melhores estréias de um jogo para o console na região.
Mas será que, mesmo com todo esse apoio do peso-pesados do mundo dos RPGs, Infinite Undiscovery está à altura de grandes nomes como Star Ocean e Final Fantasy? Uma coisa eu digo, está longe de ser um jogo ruim, mas tão pouco de se tornar um novo clássico também.
O mundo de Infinite Undiscovery sofre uma grande influência de sua Lua, que é o lar de um deus que é venerado por todos como uma benção mágica. As pessoas que nascem em certas fases da Lua são tatuadas com os Lunaglyphs e assim ganham o poder de conceber e utilizar magias.
‘Eles foram abandonados pelos céus…’
Tudo ia bem até que em um determinado momento a Order of the Chains (Ordem das Correntes), uma espécie de organização militar, consegue prender a Lua ao planeta através de enormes correntes, para manter sua órbita alinhada e drenar sua energia, colocando em risco uma colisão entre o planeta e a lua. Nesse ambiente caótico, apenas um homem tem o poder para cortar as correntes e voltar o mundo ao seu estado normal, o grande herói do lugar chamado Sigmund.
Mas Sigmund está desaparecido e é quando surge Capell, o protagonista da história, que de herói não possui nada. Ele é um músico malandro sem dons mágicos que começa sua aventura preso em um calabouço. Por ser fisicamente idêntico ao Sigmund, Capell recebe de má vontade todo o destino do planeta em suas mãos, participando de uma aventura épica em que todos dependem dele.
Quatro minutos da demo japonesa
Aos poucos a trama vai se desenvolvendo, os propósitos da organização militar vão se revelando, novos personagens aparecem e o verdadeiro papel de Capell na história será mostrada em detalhes. Como podem perceber o storyline é realmente interessante, já que estamos falando aqui da Tri-Ace, pioneira em histórias de RPG. Infelizmente a produtora pisou na bola por não desenvolver direito essa história, com uma narrativa sem muita profundidade e carisma. Os mais de 20 personagens que irão aparecer são em sua maioria superficiais e sem grande desenvolvimento, alguns irão ganhar a sua simpatia, mas em alguns casos você sentirá a falta de algo mais profundo e criativo, ficando com aquela sensação de clichê “eu já vi isso em outro jogo”.
Um mundo devastado e submerso em caos
Apesar de um visual bonito, IU não explora bem a capacidade gráfica do Xbox 360, então não espere ver nada revolucionário. O design dos personagens, dos NPCs, dos adversários está muito bom, bem detalhado e interessante. A ambientação dos cenários, das cidades, das dungeons são eficazes, mas nada que você já não tenha visto em um bom RPG de última geração. Já os efeitos especiais são fascinantes, como o uso de luzes e sombras, especialmente nas magias e ataques especiais. As cutscenes também estão excelentes, muito bem produzidas só como a Tri-Ace sabe fazer.
Comercial japonês
Problemas como alguns slowdowns podem aparecer, principalmente quando a tela está cheia de personagens e você começa a usar magias e ataques especiais. Outra coisa que incomoda é que há poucas cidades espalhadas pelo enorme mapa do mundo de IU. As cidades são pouco exploradas no contexto e na história do jogo e geralmente são bem pequenas. Algo que pode chatear muita gente e que compromete a diversão e a narrativa da história, foi a decisão da Tri-Ace fazer em níveis mais fáceis algumas seqüências importantes do desenrolar da história são ocultados e só podem ser vistas em dificuldades maiores. O problema que o modo difícil só é acessado depois que você terminar o fácil e o médio antes, sendo assim o jogador é forçado a terminar o game duas vezes para então poder joga-lo completamente e compreender toda a história. Sua dificuldade é bem fácil e seu tempo de jogo é bem curto, algo entre 20/30 horas, o que é muito pouco para um RPG dessa categoria.
Trailer da TGS 2007
Conclusão: "Infinite Undiscovery" tinha tudo para ser aquele RPG arrasa-quarteirão que está faltando no Xbox 360, com um time de peso em sua produção como a Tri-Ace e Square-Enix. Apesar do visual bonito e de um bom sistema de batalha, escorrega em pequenos defeitos técnicos, mas que podem fazer diferença no final. Faltou criatividade e originalidade, muitos clichês do mundo dos RPGs poderá ser notado. É um bom RPG, mas sem nada de extraordinário, com boas idéias que não foram bem colocadas, nota-se uma falta de ousadia da Tri-Ace em explorar melhor os recursos do Xbox 360, certamente o próximo game terá uma produção final mais refinada, mas Infinite Undiscovery pode garantir algumas boas horas de diversão para os fãs do gênero.
Análise por Alucard

(5 votos, média: 4.2 sobre 5)




Comecei a jogar semana passada e estou achando ótimo… apesar das grandes crÃticas q vem recebendo!
Boa análise Alucard!
Abraços