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Houve um embate nos fóruns e butecos gamers da vida quanto a esse capítulo da série de RPG Final Fantasy. Definindo em termos populares, poderíamos dizer que Final Fantasy XII Revenant Wings é daqueles jogos “oito ou oitenta”. Enquanto alguns adoraram os combates em tempo real, com um comando que se assemelha à jogos semelhantes de PC (como o de Age of Empires) e com a adição dos Gambit para diversas funções, outros acusaram o jogo de “se jogar sozinho”, visto que são necessários poucos comandos para as ações serem executadas pelos personagens.
Do mesmo modo, alguns amaram a nova história, que atingiu uma complexidade maior, deixando de lado os velhos padrões e se centrando em uma equipe e uma bela dose de intrigas políticas, já outros lamentaram a quebra do drama e a centralização do jogo no personagem principal, Vaan.
O que se pode dizer, contudo, é que Final Fantasy XII, por si, foi um jogo que tentava redefinir o estilo da série, e como resultado o time que desenvolveu a seqüência do jogo para o Nintendo DS nada mais fez que seguir essa mesma linha de raciocínio. Talvez seja até errado categorizar RW como “mais FFXII” até porque o jogo evita repetir a maioria da sistemática do primeiro jogo, se focando nas capacidades do Nintendo DS, mas sem exagerar na dose.
Voando para além do céu azul de Ivalice…
Revenant Wings é o sucessor direto de FFXII, começando a partir do ponto onde Vaan realiza seu grande sonho de se tornar um Pirata espacial e representando, para os fãs da aventura original, a chance de visitar uma vez mais o fantástico mundo de Ivalice, fato que é a grande jogada de Revenant Wings, e o jogo não desaponta nem um pouco nesse quesito. Ivalice foi quase que perfeitamente retratada na aventura portátil fazendo que você reconheça muitos lugares do predecessor. Além disso, a maioria dos personagens de FFXII retorna na seqüela, e alguns deles fazem mais bonito em RW que no jogo original. Se quer um exemplo: Vaan, que na aventura original era mais um observador dos eventos do que qualquer outra coisa se tornou um respeitável comandante em RW.
Vídeos com qualidade visual e sonora cinematográficos têm sido simplesmente a marca registrada da Square Enix para a entrada de seus maiores sucessos de DS, e com Revenant Wings não tinha porque ser diferente. O jogo na realidade está repleto de cutscenes fantásticas que contam um pouquinho da história e isso dá um ar ainda mais precioso à obra.
Foi grande e perceptível a tentativa dos produtores em manter Revenant Wings o mais próximo possível da aventura original nos quesitos de história e apresentação, mas devemos levar em consideração que talvez o DS não seja o sistema perfeito para tratar de uma história de intriga política e filosofia religiosa assim como os Gambits que, como você lerá em seguida, não chegaram nem perto da imersão proporcionada em FFXII na versão portátil.
Batalhas em tempo real, isso é legal!
Essencialmente podemos definir Revenant Wings como um jogo de estratégia em tempo real, que mistura RTS e RPG em um clima ideal no portátil. O jogo tem sido comparado muitas vezes com alguns outros títulos da gigante SE, como Final Fantasy Tatics e Heroes of Mana, mas, diferentemente do primeiro e mais se assemelhando ao segundo, o jogo dispensa combates por turnos em prol de um rápido e intuitivo sistema de batalhas em tempo real.
No jogo, você controla até cinco personagens da aventura principal, e cada um desses personagens tem a capacidade de invocar vários monstros para participar das batalhas (buuuu!). A princípio, tais criaturas são fracas, como Chocobos, mas quanto mais você avança no jogo, seres mais avançados passam a se tornar invocáveis, indo até chefões conhecidos como Ultima. Para invocar criaturas, você usa Portais de Invocação que, inclusive, são essencialmente os objetos que você precisa conquistar e defender durante o jogo.
Agora fica uma dúvida! E quando tem muitos monstros na tela? Com essa telinha pequena do DS como é que vou fazer? Pois bem, a Square Enix criou um controle interessante, pensando nessa árdua tarefa, que lhe permite se mover pelo mapa em qual você está batalhando usando os direcionais. Opa, opa! Agora vem aqui um desabafo! Isso apesar de ajudar muito mesmo foi meio mal pensado, afinal sou canhoto e a Square não permitiu nas opções mudar entre as teclas direcionais e os botões para fazer esse controle. Isso atrapalha de verdade em alguns momentos decisivos, e contou algo de pontuação no quesito jogabilidade. Outro problema é que não se pode girar a câmara e, por vezes, você acaba deixando algum personagem preso atrás de uma coluna sem poder conferir o fato.
De qualquer modo, o jogo tenta ainda facilitar esses momentos de intensa batalha permitindo a você selecionar as unidades em grupos por personagem, e isso é realmente mais útil do que parece. O funcionamento por si é simples: clicando no nome de um dos personagens, você pode selecionar todas as criaturas que ele invocou. Você pode ainda clicar, segurar a caneta na tela e arrastar, gerando um quadro de seleção, igualzinho ao que você faz nos RTS de computador. No geral, não fossem alguns erros até perdoáveis visto a qualidade do titulo, esse jogo poderia ser considerado perfeito no quesito jogabilidade, fazendo belo uso da touchscreen em um gênero que merece ser explorado cada vez mais no portátil.
E quanto aos Gambits?
Sobre o sistema de Gambit, ele representou, no FFXII original, o mesmo que a nova jogabilidade representou no DS: um ponto ame-ou-odeie. Pois bem, ainda que com grandes cortes, ele retorna na aventura portátil, mas se você os ama, é bom deixar claro que cada personagem só pode ter um Gambit ativado de cada vez. Isso é algo que frustra um pouco, porque uma estratégia envolvendo o uso de diversas habilidades Gambit deixaria o jogo bem mais interessante e intuitivo, mas tente ficar trocando manualmente de habilidade em habilidade no menu… além de demorado e pouco eficiente, vai te fazer perder o tesão pelo jogo logo logo.
E o jogo, é muito fácil?
Algo bem evidente em Revenant Wings, é a curva de aumento de dificuldade. Devo dizer que fiquei frustrado ao começar a jogar o jogo, falei mal dele para todos no MSN dizendo que se tratava de um jogo muito fácil. Qual não foi minha surpresa ao avançar um pouco mais e descobrir inimigos com estratégias próprias que representavam uma dificuldade enorme? Devo confessar que fiquei travado por algum tempo em alguns níveis do jogo, pois bem, paguei por abrir a boca cedo demais não é?
Então, se você começou o jogo e achou aquela jogabilidade onde ficam duas horas te falando como tem que fazer tudo, desde como caminhar até como salvar o jogo, milhões de vezes e o número de inimigos aparecem em um número ínfimo e com nível de dificuldade deprimentemente fácil demais, não deixe o jogo agora, espere um pouco mais e logo você se verá enrascado, analisando e criando estratégias para derrotar os inimigos que começam a aparecer em cada vez maior quantidade e com uma força e inteligência interessantemente razoáveis, considerando a capacidade de criação de IA pelo portátil. E digo isso porque esse é um daqueles jogos que, quando você falha, fica pensando no que podia ter feito diferente e quando menos espera já está lá, tentando uma vez mais derrotar o chefão.
Certamente não poderia deixar de falar da construção gráfica, que desde alguns anos vem chamando a atenção em todo e qualquer jogo que leve o nome Final Fantasy. RW está repleto de lindos cenários 3D com personagens 2D que parecem ter saído de uma prancheta de desenho andando sobre eles, mas os efeitos aplicados dão a esta cena tão incomum um toque perfeito em cada detalhe, é simplesmente inexplicável.
Enfim, o vôo vale a pena!
A apresentação, por si só, de Revenant Wings já faz do mesmo um dos jogos mais expressivos dos últimos tempos, e sua mistura entre RTS e RPG mostra outro exemplo da inovação e criatividade da Square Enix.
Pena que todo jogo tem defeitos, e que este não foi exceção. Problemas com o controle, algumas lentidões quando há muitos inimigos, encontros repetitivos e, principalmente, a falta de qualquer tipo de modo multiplayer entristecem e diminuem consideravelmente o nível de aproveitamento desta obra.
De qualquer modo, estamos certos de que os fãs de Final Fantasy XII vão encontrar uma maravilhosa continuação da história nesta versão portátil, uma ótima chance de revisitar locais da obra original assim como seus personagens. E para quem nunca jogou a obra original, o jogo é simplismente um dos melhores e mais bem feitos e divertidos RPGs para o portatil e merece ser apreciado em cada detalhe.





