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Sakaguchi + Toryiama = Superprodução de gala
O primeiro Xbox foi um console tenebroso para os japoneses, afinal seus jogos não eram voltados para o público nipônico, exceto alguns pouquíssimos títulos (como Ninja Gaiden e Dead or Alive).
Com a chegada de seu sucessor, a Microsoft trabalhou bem para tentar reverter esse processo. E o primeiro grande fruto disso fora Blue Dragon, da estreante Mistwalker, fundada por nada mais nada menos que Hironobu Sakaguchi, o criador de Final Fantasy, que havia saído da Square-Enix. E, junto a ele, dois grandes pesos-pesados estavam na produção: Akira Toryiama, criador de Dragon Ball e desenhista de Chrono Trigger e da série Dragon Quest; e Nobuo Uematsu, a lenda das trilhas sonoras dos grandes clássicos da Square. Com isso, todos as atenções se voltaram a este título, tido como o salvador do Xbox 360 por lá.
O jogo ajudou a dar um pequeno "up", mas ainda não fez com que o X360 mudasse muito sua performance fraca por lá. Porém, os números eram expressivos: mais da metade dos donos do console por lá possuíam o game. E alguns meses depois, enfim Blue Dragon chega ao ocidente. Confira nosso veredicto do primeiro grande RPG japonês para o console da Microsoft.
As sombras azuis
O enredo de Blue Dragon não é um show de complexidade. Muito pelo contrário: é simples demais, com clichês típicos de RPG´s japoneses. A aventura mostra inicialmente Shu, Jiro e Kluke combatendo, em sua vila, uma criatura que chamam de "Land Shark". Todo ano, ela aparece e destrói tudo. Porém, desta vez, o trio resolve dar um basta nisso. Durante a luta, eles são levados ao subsolo e descobrem mais detalhes sobre mecanismos da antiguidade. E, junto disso, um vilão: Nene. Era ele quem comandava o tal Land Shark e pretende destruir a tudo e todos. Novidade, não?
Após isso, nossos heróis ouvem vozes que falam para engolirem esferas azuis, para poderem se safar. Ao fazer isso, cada um deles ganha uma sombra poderosa, que os auxiliam nos combates: dragão para Shu; uma fênix para Kluke; e um minotauro para Jiro. Depois disso, uma série de acontecimentos clássicos de RPG´s acontecem: exploração de vilas, viagens pelos mapas e adição de dois novos personagens para o grupo – o irritante / simpático Marumaro, que possui um tigre dentes-de-sabre como sombra, e a séria e interessante Zola, que é acompanhada por uma sombra na forma de um morcego (que, pra falar a verdade, está mais para um porco…). Você curtirá diversas animações, sejam elas na engine do jogo ou em CG´s de altíssima resolução. Com isso, vêm a idéia do tamanho da coisa: é o primeiro jogo a utilizar 3 DVD´s. Sim, isso mesmo: três.
O enredo não é apenas isso, mas é claro que não vou passar spoilers da aventura. Porém, no geral, é bem simples. E o pior: os grandes momentos são poucos, e mal "organizados". Demora muito até surgirem eventos de proporções épicas ou, no mínimo, empolgantes. No primeiro DVD, por exemplo, seu final é fantástico, mas as demais horas de jogo, antes desta parte, não possuem nada de especial.

Para ajudar – principalmente quem curte um JRPG clássico -, o jogo é muito divertido. O sistema de batalha não é inovador. Pelo contrário: é extremamente conservador. Porém, algumas adições ajudam a não torná-lo muito cansativo. O primeiro ponto é a inexistência das batalhas aleatórias que, convenhamos, sempre incomodam. Ao menos para mim, não é nada tão irritante em um RPG quando você apenas quer chegar a uma cidade e aquela telinha clássica de luta pula na sua frente de 3 em 3 passos.
E, fora dela, há um item interessante. Apertando RT, um círculo surge na tela. Todos os inimigos que estiverem dentro dele poderão ser enfrentados da forma que você escolher: de forma separada, ou seguidos. Se escolhê-los de forma seguida, a cada intervalo de batalha pintam alguns bônus para ajudá-lo, como ataques mais fortes ou recuperação de HP. Ainda dentro das lutas, existe um quadro, no topo da tela, onde é exibida a ordem dos turnos, o que ajuda a traças algumas estratégias.
Há também a barra de charge, em que ataques e magias mais poderosas podem ser desfeitas. Para isso, basta segurar o botão A, soltar e apertar no ponto certo da barra. Claro que este ataque é mais demorado e muitas vezes você terá que aguardar o turno de todos os inimigos.
O mais legal fica por conta do sistema de skills e profissões. No primeiro, você pode equipar diferentes habilidades nos personagens (como dar sempre counter ou ataque duplo), de acordo com os slots disponíveis. Já o segundo segue o estilo de Dragon Quest / Final Fantasy, onde dá para escolher entre assassino, mago branco, e por aí vai. Cada uma destas profissões possuem habilidades específicas. Porém, conforme você vai evoluindo, todos os personagens podem ganhar todas as profissões.
Se bem que, no geral, você não usará muita estratégia, já que Blue Dragon é extremamente fácil. Me recordo de ter perdido cinco personagens em todo o jogo, mas por descuidos meus. Não há muito desafio, mesmo nos chefes mais complicados. Se bem que, caso você queira mais desafio, a Mistwalker disponibilizou, via LIVE, um pack que contém diferentes níveis de dificuldade.
Artisticamente, um luxo
Blue Dragon pode não figurar entre os jogos mais bonitos do X360, mas o trabalho artístico é impecável. Os personagens parecem feitos de massinha, e são extremamente carismáticos, graças ao traço inconfundível de Toriyama. Os inimigos idem: ótimo design e texturas em alta resolução. Já os cenários possuem altos e baixos. As vilas são muito bonitas, e há belíssimos efeitos como de fogo e principalmente a água, que é fantástica. As dungeons já não impressionam, sendo mais simples. Porém, o conjunto da obra o torna um título de visual extremamente agradável.
Mas há problemas. Algumas partes possuem texturas simples e repetitivas, e há slowdowns irritantes nas batalhas, principalmente quando você está enfrentando vários inimigos ao mesmo tempo. Isso pode ser notado principalmente quando se usa alguma habilidade especial das sombras. Faltou um bocado de polimento nesta parte, e tendo em vista a demora do lançamento ocidental, isso poderia ter sido consertado.
Nobuo Uematsu e seu toque mágico
Uematsu geralmente marcou por onde passou. Em Blue Dragon não é diferente. E pode anotar: várias músicas serão do tipo "grudentas", daquelas que você não esquece tão fácil e se pega cantarolando por aí. Fora que combinam totalmente com a proposta de jogo. As músicas de chefes é que são polêmicas, sendo um rock cantado de gosto duvidoso e bem incomum no gênero. Felizmente, os momentos épicos são o que são devido também às músicas, que acompanham o ritmo da aventura.
Algo que agradará e muito aos fãs é o fato do jogo ter as duas opções de áudio: japonês (com legendas em inglês) e inglês. Apesar da dublagem em inglês não ser ruim, a original é muito melhor. Isso com certeza é algo que a grande maioria dos títulos do gênero deveriam ter.

Explorando o mundo de Blue Dragon
Como no bom e velho RPG japonês, Blue Dragon possui um enorme mapa a ser explorado. Inicialmente é tudo da forma mais "sofrível": à pé. Só à partir do terceiro DVD é que o grupo ganha uma nave. Com ela, você poderá visitar todos os cantos mais facilmente, o que expande o nível de exploração e aumenta a diversão. Estando nela, nenhuma batalha se inicia e só é possível pousá-la em pontos cujo a bússola não esteja vermelha. O único problema são as várias "travadinhas" decorrentes do carregamento constante das áreas.
E é também no terceiro DVD que as famosas side-quests aparecem. Porém, ao todo são poucas, o que pode desagradar àqueles que curtem passar cerca de 100 horas em um RPG. Algumas delas inclusive fazem parte da longa lista de conquistas, e acredite: não será fácil fazer 1000 pontos em Blue Dragon. Em mais de 20 horas de jogo eu havia conquistado apenas 65 pontos.
Finalizando
Blue Dragon marca uma boa estréia da Mistwalker no console. Não é um jogo revolucionário, tampouco "salvador" do console no Japão, mas faz o principal: diverte. Com personagens carismáticos, um sistema de batalha simples, porém dinâmico, e um "feeling" totalmente old school, certamente é um RPG que poderá chamar sua atenção. Mas aqueles que procuram algo mais novo e complexo ficará decepcionado.


(13 votos, média: 4.23 sobre 5)




Uma das análises mais “justas” com o game que eu já li. Parabéns.
Realmente eu acho que Blue Dragon cumpre com seu opbjetivo de divertir. Talvez o ritmo não esteja bem equilibrado, mas acredito que batalhas por turnos vão ser eternamente legais.