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Metal Gear Solid: Portable Ops

Data de Lançamento: 5 de Dezembro de 2006
Produtora: Kojima Productions
Distribuidora: Konami
Autor da Análise: Uol Jogos

Notas
Gráficos: 9.0………………. Jogabilidade: 8.5
Som: 9.05…………………….Diversão: 9.0
Originalidade: 9.5…….. .Geral: 9.0

“Metal Gear” é uma das franquias mais aclamadas dos videogames. Grande parte de seu fascínio vem de seu complexo enredo, que envolve sórdidas conspirações políticas e sua mensagem contra as armas nucleares, além de tratar de temas profundos sobre patriotismo, lealdade aos princípios e herança, seja genético ou filosófico.

Para os fãs, o game já é obrigatório por preencher mais lacunas da rica cronologia da série. “Metal Gear Solid: Portable Ops” conta o que aconteceu depois de “Metal Gear Solid 3: Snake Eater”, o mais recente game da série até agora (descontando “Subsistence”, que é uma versão com mais conteúdo de “MGS3″). Porém, o terceiro “Metal Gear” para o PSP, tem muito mais para cativar tantos os admiradores antigos como a todos que gostam de um bom game de ação.

“Metal Gear Solid: Portable Ops” é o primeiro episódio canônico da série para o PSP. O estilo de jogo guarda similaridade com os antecessores para PSOne e PlayStation 2, mas traz muitas mudanças, pois o jogador também deve atuar como um “administrador”. As partes de ação ainda mantêm aquele misto de tiroteio e de ação furtiva que fez a fama da série. Além de um modo de história robusto, ainda oferece várias modalidades multiplayer, inclusive online.

Essa aventura acontece em 1970, seis anos após a operação Snake Eater, retratada no antecessor. Se antes Snake é condecorado como herói, agora ele é capturado pela própria organização em que atuou, a unidade Fox. Quem está por trás de tudo está a procura do “legado dos filósofos”, a incomensurável quantidade de dinheiro que controla o destino do mundo.

Como se isso não bastasse, Snake está preso numa área perto do Equador onde a então União Soviética montava uma base de lançamento de mísseis, mas acabou abandonando o projeto e, por conseqüência, os soldados do Exército Vermelho que atuavam no local. Logo no começo, ele encontra um jovem boina verde de nome Roy Campbell, também capturado, e, como eles não tem apoio nem de seu país nem de outros grupos militares, resolvem juntar forças e tentar convencer mais soldados a aderirem ao grupo.

Quem já jogou o primeiro game da série, lançado originalmente para o MSX2 em 1987 (e depois reeditado em “Metal Gear Solid 3: Subsistence”), deve enxergar a ligação entre esses dois games, como a formação do grupo Fox Hound. “Portable Ops” também acompanha a transição entre o soldado lendário de “Snake Eater” e o terrorista que viria a se tornar mais tarde.

Há diferenças fundamentais desde o começo do jogo. Agora, a visão não é mais determinada por cena, mas acompanha Snake preferencialmente pelas costas, numa visão em terceira pessoa. A gama de movimentos é praticamente a mesma de “Metal Gear Solid 3″. No entanto, os controles têm um aprendizado lento, devido à sua complexidade. O mais complicado é lidar com a câmera, que se aproxima e se afasta do personagem de forma automática, e muitas vezes não está no ângulo ideal.

Para contornar isso, é preciso combinar a visão de primeira pessoa e a recolocação da câmera em sua posição padrão. Infelizmente, a configuração de botões e direcional do PSP não oferece nenhuma maneira de acessar rapidamente o deslocamento, a visão e as ações do personagem, como no controle do PlayStation 2. É preciso sacrificar um dos três itens e, provavelmente, a câmera deve ser a escolhida pela maioria. Enfim, há essa falha estrutural do portátil, mas é possível dominar perfeitamente os movimentos.

Snake tem várias opções de movimento: ele anda, corre, rasteja, salta para frente, gruda as costas numa parede e atira (tanto em terceira como primeira pessoa). O soldado é faixa preta em CQC (close quarter combat) e, portanto, tem inúmeros golpes corpo-a-corpo para subjugar os oponentes: socar, chutar, aplicar gravatas, derrubar e ameaçar com facas ou pistolas a fim de obter informações. Vale também render os oponentes, apontando a arma para suas cabeças de surpresa.

Ser soturno continua a ser importante, já que o combate franco é sempre um risco devido à superioridade numérica dos oponentes. Um novo sistema de radar ajuda o jogador a localizar os inimigos. É uma espécie “bússola sonora”, ou seja, indica de onde está vindo o barulho, além de mostrar o ruído que você mesmo produz. Caso os oponentes estejam perto, um sinal luminoso também aparece.

Utilizar métodos não-letais para passar pelos oponentes tem mais uma utilidade aqui: os inimigos podem ser tornar “recursos humanos” valiosos para você. É que Snake não age sozinho desta vez. Ele ainda é o agente mais importante e cuida diretamente das missões, mas ele também gerencia toda a “organização”.

Esse “Metal Gear” não é uma aventura linear e contínua como nos antecessores. Desta vez, você escolhe onde você vai atuar num mapa tático. As missões principais aparecem destacadas no mapa, mas você pode ir a qualquer outro lugar, para conseguir itens e capturar mais soldados.

“Portable Ops” permite o jogador vivenciar uma nova atividade: o seqüestro. A organização de Snake precisa de soldados para fazê-la funcionar e ficar mais forte operacionalmente. Para isso, basta trazer um soldado inconsciente para o seu caminhão. Mais tarde, você pode entregar os seqüestrados para um companheiro que fica escondido numa caixa de papelão, e ele faz o serviço de levar o prisioneiro até à base.

Os capturados não aceitam trabalhar para você no começo, mas com o tempo eles mudam de idéia, magicamente – o poder de persuasão de Snake é incrível. Cada soldado tem suas características e eles podem servir em vários setores. A principal é o Sneaking, que é o grupo que efetivamente participa das missões. Mas há também setores de espionagem, tecnológico e médico.

O primeiro colhe informações das fases e podem voltar com relatórios sobre novos itens e até mesmo fases que eram desconhecidas até então. Dependendo das habilidades dos espiões, o grupo de agentes pode ganhar vantagens, como ter um mapa muito mais detalhado. Um melhor setor tecnológico permite carregar mais itens, além de desenvolver novos aparatos. Por fim, o departamento médico cuida da recuperação física.

As habilidades contam muito no grupo de agentes de campo. A avaliação de CQC é um dos mais importatnes. Snake tem o grau máximo (S) e pode fazer todos os movimentos. Mas os soldados com nível C, o pior, não conseguem fazer nem ao menos uma gravata. Além disso, é preciso levar em conta o objetivo para montar um grupo. Se é para arregimentar novos soldados, é bom levar muitos “rescuers”, que carregam corpos mais rapidamente. Se o objetivo é coletar item, o “deliveryman” é a melhor opção, pois ele consegue carregar quantos objetos quiser. E essas são apenas algumas das opções.

As missões em si são relativamente simples e rápidos, pois basta pegar um determinado item ou chegar ao lugar indicado. Isso está de acordo com o estilo rápido e prático de um videogame portátil. No entanto, se for para capturar os oponentes, a missão pode demorar muito mais.

O microgerenciamento da organização poderia ser melhor, se a lista geral mostrasse também as habilidades específicas dos soldados. Isso evitaria ter de ver a ficha particular de cada um deles antes de designá-los para os setores mais apropriados. Quem gosta de ficar administrando pode obter bons resultados. Se essa não é sua praia, infelizmente, você ainda terá de passar por essa parte, pois é imprescindível para avançar no game.

Mais uma vez, o criador Hideo Kojima tem uma idéia genial para expandir a experiência de um game. Aqui, tal e qual como Snake, você precisará bater pernas para achar novos soldados, como é o caso do AP Scan e do GPS Scan. No primeiro, você precisa procurar por pontos de acesso sem fio: vá para casa de amigos, hotéis, aeroportos, lan houses e onde imaginar que haja um “hotspot”. Mesmo se o sinal não for muito forte, é possível aumentar a sensibilidade pressionando rapidamente um botão.

Com o acessório de GPS, o game passa uma coordenada física onde estão “escondidos” os soldados. O dispositivo não foi testado, mas é improvável que a Konami tenha preparado alguma coordenada para o Brasil. Novos personagens também podem ser adicionados ao inserir senhas, que são publicadas na internet e nos veículos de comunicação.

Você também pode conseguir mais guerreiros (ou perder, dependendo do caso) ao participar de confrontos multiplayer. Na modalidade “para valer”, o soldado derrotado passa para o grupo do jogador que o matou. Mas é possível evitar isso ao hastear uma bandeira branca e se render, antes de ser morto, é claro. Vale lembrar que a perda da vida é definitiva mesmo na modalidade de campanha. Há também um multiplayer “de treino”, em que não há preocupação em perder o personagem.

As partidas comportam até seis pessoas ao mesmo tempo e lembra muito o “Metal Gear Online” encartado em “Subsistence”. É um estilo mais estratégico de tiroteio, pois é preciso coordenar os grupos e há uma série de itens, como a infame revista de “entretenimento masculino” que prende a atenção de quem passar por perto. A modalidade também pode ser jogada via online e a infra-estrutura de servidores apresentou bom desempenho.

Por fim, há um confronto online um pouco diferente. Na cyber-survival, o jogador escala um grupo de quatro soldados e coloca para enfrentar outro jogador. O resultado é determinado pelo computador baseado nos parâmetros, habilidades e armamentos da equipe.

A produção é de alto nível. O destaque são os personagens, que se equipara à versão para PlayStation 2, principalmente o rosto. O restante do corpo traz texturas bem detalhadas, mas a modelagem é mais simples, o que é compreensível para um portátil. Os cenários são meio “quadradinhos”, com muitas linhas retas, mas a estrutura é inteligente, e oferece diversas rotas de infiltração e de fuga. O fluxo de tela não é dos mais suaves, mas não atrapalha.

As cenas não-interativas de “Portable Ops” empregaram o mesmo esquema de “Metal Gear Solid: Digital Graphics Novel”, ou seja, é um “quadrinho animado”. A arte é novamente de Ashley Wood, mas desta vez ele usou um traçado mais tradicional. Não impressiona como as cenas cinematográficas de “Snake Eater”, mas tem um estilo refinado.

A trilha sonora não é de Harry Gergson-Williams, mas a dupla Norihiko Hibino e Akihiro Honda manteve a qualidade. As composições remetem aos games anteriores, principalmente a “Snake Eater”, trazendo um estilo mais retrô. Há uma boa variedade de músicas, adaptadas para cada cena do game.

O time de dubladores é fantástico. David Hayter reprisa seu papel como Snake, com a competência de sempre, mas as vozes dos outros personagens também estão memoráveis, principalmente os novos inimigos. É uma pena que as cenas não-interativas são poucas, ainda mais se comparado com a versão para consoles, que traz uma quantidade maciça de cenas de demonstração.

“Metal Gear Solid” foi adaptado para o PSP de forma muito competente. A campanha ficou menor, mas compensa com um sistema inteligente que incentiva repetir as fases. A coleta de soldados é um capítulo a parte, com opções para procurar até mesmo nas ruas. Há também amplas opções multiplayer. Para quem é fã de carteirinha, o enredo não decepciona e preenche mais lacunas da trajetória de Snake. Só não é um título para sair jogando de cara, pois os controles são complexos e exigem um período de aprendizado.