Sempre que alguém se lembra de determinados jogos do passado ou mesmo de um grande título em específico, a palavra “clássico” aparece em algum ponto de uma conversa ou assunto. Independente do gênero ou tipo de jogo, a semelhança que une todo clássico é sua capacidade de passar pelo que chamo de “teste do tempo”, ou seja, a capacidade de manter-se divertido e jogável mesmo muitos anos após seu lançamento. Quase sete anos depois, Wii Sports, game de lançamento do Nintendo Wii mostra que merece ter a alcunha de clássico. Mostrarei o porquê disso no post de hoje. Tudo após o link.
Nessa última semana houve mais um daqueles “Nintendo Direct” que a Nintendo eventualmente exibe para falar de lançamentos para Wii U e 3DS, porém entre os anúncios bobinhos de sempre, apareceu uma verdadeira bomba: a confirmação e exibição do que será o primeiro Zelda original para Nintendo 3DS (o console já conta com o remake de Ocarina of Time), e o melhor de tudo é que finalmente voltará ao seu eixo clássico. Mas como não poderia deixar de ser – e devido a sua atual fase bizarra – a Nintendo resolveu complicar o que poderia ser simples, e ao invés de agradar todo mundo, resolveu apostar em elementos duvidosos. Sem perder tempo, discutiremos sobre eles aqui. Vamos lá.
Antes de mais nada, eis aqui o video do novo Zelda, que por sinal não tem subtítulo ainda:
Antes de falar do jogo em si, convém registrar minha perplexidade quanto a incapacidade recente da Nintendo em fazer anúncios claros. Creio que eles não aprenderam nada com o anúncio confuso do Wii U, e repetiram a dose agora. Como diabos me anúnciam o jogo apenas como “Zelda”, como se fosse um nome de projeto, sem um subtítulo, um contexto, uma informação adicional? Vocês conseguem, por exemplo, imaginar a Nintendo anunciando um novo game Mario para Wii U apenas como “Mario”? O anúncio se tornou ainda mais confuso pelas óbvias semelhanças que o novo Zelda tem com o clássico A Link to the Past, lançado originalmente para Super Nintendo em 1992. Afinal, estávamos diante de um remake ou um spin-off? Ficou ainda mais estranho após ter saído em diversos sites de que o jogo foi referido como “A Link to the Past 2″ na Nintendo Direct japonesa. Fico a pensar se há diferentes Nintendos, se a América do Norte, Europa e Japão realmente se entendem. Por que afinal esse nome não foi assumido de uma vez então? Agora vamos ao jogo propriamente.
Não se conserta o que não está quebrado
Considerando que esse Zelda seja mesmo a continuação de A Link to the Past, minha primeira pergunta é pra quê? Sim, faço essa pergunta primeiramente porque se tem um Zelda com começo, meio e fim absolutamente definidos, esse é ALTTP. Diferentemente de Ocarina of Time, Majora’s Mask ou Twlight Princess, ALTTP deixa claro que seu “The End” é mesmo end:
http://mmxz.zophar.net/rpg/zelda/mastersword.gif
(Não postei a imagem para não haver reclamações de spoilers)
Além disso, não se conserta o que não está quebrado, e se tem um jogo que não precisa de qualquer reparo esse é justamente ALTTP – e até por isso o jogo é considerado um clássico (e não acepção correta do termo, não dos “clássicos” com notas carnavalescas das últimas duas gerações). Então, considerando que a Nintendo já havia dado pista de que faria algo com um Zelda à moda clássica, considero duas coisas:
Após os fracassos recentes com Skyward Sword, Wind Waker e etc (os Zeldas de DS são bem fracos também) enfim a Nintendo obrigou o fraco Eiji Aonuma a parar de inserir sua “criatividade” à série e voltar a olhar para os clássicos (por sinal Aonuma admitiu em uma entrevista que não conseguiu jogar o Zelda original), dessa forma a Nintendo finalmente admitiu que a série estava rolando ladeira abaixo e forçou uma mudança drástica, usando o 3DS como a base para o que será o próximo jogo que um dia será lançado para o Wii U. Ou;
Uma luz divina baixou, e finalmente a Nintendo permitiu que a série Zelda possa estar nas mãos de designers realmente interessados em fazer um jogo como os clássicos que todo mundo ainda gosta e joga, enquanto Aonuma e sua equipe estão trabalhando no Zelda “real” que sairá daqui há quase uma década, custará milhões e terá mais textos e personagens que toda a coleção de romances da Jane Austen.
Apesar do alívio enorme em saber que o próximo Zelda ao menos se parece com um game Zelda, e em um curto de video de apenas um minuto e meio já mostrar mais ação do que em 2/3 de Skyward Sword (aliás já teve mais variedade de cenários também), Me incomodou muito toda essa semelhança com ALTTP, a ponto de partes inteiras serem praticamente iguais:
Ok que o trailer não vai sair revelando todas as novidades de uma vez, porém com exceção da gimmick idiota do Link “Menina Superpoderosa” andando pelas paredes, tudo o que apareceu veio diretamente do game de SNES. Pergunto então mais uma vez, para quê mexer em um jogo que envelheceu muito bem e continua perfeitamente jogável ainda hoje? Então eu volto à pergunta do título.
O que a Nintendo pretende com o novo Zelda?
Se a idéia era fazer Zelda voltar aos trilhos ou retornar aos elementos que fizeram a série ser o que foi em seus melhores dias, por que não fazer como em New Super Mario Bros, que apesar das óbvias referências, conseguiu ter o suficiente para ser um game com cara própria. Aliás nesse sentido, vocês imaginam qual seria a reação geral se NSMB tivesses fases inteiras iguais as de Super Mario Bros ou Super Mario Bros 3? Nesse sentido, uma hipotese seria a de que a Nintendo achou mais seguro se apoiar na força de um grande sucesso, para dessa forma chamar tanto os antigos jogadores que foram largando os jogos graças as “Aonumices” que foram contaminando a série, quanto trazer os jogadores mais novos e mal acostumados com jogos fáceis e tão intensos quanto tirar pulgas de um cachorro.
Evidentemente ainda é cedo para maiores apontamentos quanto ao jogo, pois tudo o que temos até o momento é um video de um minuto e meio exclusivamente preenchido com cenas de gameplay (não estou reclamando, entendam). Mas jé está claro que a Ninteno pretende jogar seguro e usar ALTTP como rato de laboratório de uma provável experiência que ela deve estar realizando (aliás, a Nintendo deve estar bastante atenta com todas as reações registradas na internet). Por um lado acho uma pena, pois além de preferir um game 100% novo (ainda que baseado nos clássicos), também acho que certos clássicos não precisam ser “melhorados”, modernizados ou modificados de alguma outra forma, por outro me bateu certo alívio em ver um video de Zelda que se parece com Zelda, com cenas de ação, calabouços e exploração no lugar de bem…isso:
Outra evidência de que a Nintendo está jogando seguro, é como tudo parece muito simples e humilde no trailer de “ALTTP 2″, evidenciando um nível de produção ainda menor que o do remake de Ocarina of Time. Talvez em um esforço para disfarçar a direção de arte simplória e aparentemente equivocada (repararam como quase tudo tinha uma aparência plástica e sem vida?), foram inseridos uma série de bobos e desnecessários efeitos 3D, que além de tudo são repetitivos, pois todos se baseavam no truque de ter elementos saindo na tela. É o tipo de coisa cuja graça não apenas dura pouco mais de cinco minutos, como ainda nada adiciona ao gameplay do jogo. Achei que a Nintendo tinha amadurecido, e após várias tentativas frustradas, finalmente se tocado que ninguém liga para o 3D estereoscópico. Pelo visto não apenas me enganei, como ainda Zelda será usado como mais um instrumento de divulgação desse ultrapassado e pouco interessante efeito (de minha parte, mal mexo o slider do meu 3DS XL).
Por fim…
Enfim, não tenho muito mais o que dizer, então prefiro esperar por mais infos e novos videos – certamente haverá mais na E3 – para ter uma idéia melhor do que esse suposto A Link to the Past 2 será. Estou muito reticente ainda, mas também tive uma boa sensação ao notar que finalmente temos um Zelda. E considerando a situação da série, isso por si só já algo significativo. Espero sinceramente que Eiji Aonuma finalmente tenha se tocado do fracasso de seus Zeldas recentes e tenha (forçado pela circunstância ou por conta própria) resolvido enfim ter a humildade de olhar para os clássicos. Caso contrário, tenho medo dele olhar para A Link to the Past e pensar “hum…como posso tornar esse jogo ainda mais bacana”. Só o tempo dirá.
Espero pelos comentários de vocês, e aí, o que acharam disso tudo?
Vocês certamente se lembram que em mencionei em vários posts anteriores que a Nintendo passa por uma fase bizarra. Pois bem, essa fase se deve e muito não apenas às bobagens da matriz japonesa, mas ao comando do famigerado Reggie Films Aime & companhia limitada. Em seu excelente artigo publicado no site Not Enough Shaders, Emily Rogers mostra as diferenças entre o que foi a Nintendo entre 1994 e 2000 com Minoru Arakawa e Howard Lincoln , e as diretorias posteriores, que apenas surfaram na onda do Wii e DS e agora estão mais perdidos do que cego em tiroteio. Vamos em frente.
A imagem é auto-explicativa, mostrando o novo pacote que servirá para divulgar o próximo game da franquia Monster Hunter. Considerando que somado ao pacote deluxe original com Nintendo Land e o pacote de mesmo tipo com o jogo Zombie U, o pacote de Monster Hunter 3 Ultimate já o terceiro que a Nintendo lança para tentar impulsionar as fracas vendas do Wii U até aqui. É uma tática válida, até porque o console é apenas uma caixa para as pessoas jogarem video games nela, então nada mais prático do que levar o console e um jogo legal no mesmo pacote. Eu mesmo comprei um 3DS que vinha com Mario Kart 7 já instalado, nada pode ser mais pick up and play do que isso.
Nintendo Land, Zombi U e agora Monster Hunter 3 Ultimate já ganharam seus pacotes, mas e quanto a New Super Mario Bros.U? Por que justamente o jogo mais popular do console – e baseado no mascote mais popular dos games – não ganha um pack por parte da Nintendo? Depois do fracasso que foi achar que Nintendo Land seria o novo Wii Sports, por que insistir em colocar no pacote um jogo que ninguém quer, ao invés de dar às pessoas a opção de levar Wii U com Mario já na caixa? Por que a Nintendo esconde New Super Mario Bros.U?
Estou certo que alguns leitores reclamarão que sou amargo e tal, mas diante da atual fase bizarra da Nintendo, vocês querem que eu diga o quê?
Falar sobre video games parece não ser uma tarefa fácil para quem não faz parte desse universo, por isso que de vez em quando vemos publicações tradicionais sofrendo altas derrapagens quando resolvem tratar desse assunto. Dessa vez o olho de Thundera do Loading Time pegou uma série de pérolas publicadas em um curto texto publicado no site infomoney. Continuação após o link.
A essa altura vocês já devem ter lido alguma reportagem ou postagem de fórum dando conta do alarmante desempenho do Wii U em seus três primeiros meses. A depender da fonte da informação, mesmo que o enfoque possa ir desde a linha “omg! Nintendo is doomed” até “mas se olhar bem, o Wii U vendeu mais que o Wii em uma segunda-feira que choveu canivete”, a realidade é a mesma: o Wii U está mal das pernas e não encanta quase ninguém. Para mim, o principal motivo para isso é que a Nintendo ainda ama o Game Cube, e é aí que vem minha pergunta: por quê? Resposta para esse e outros questionamentos após o link.
O site Engadget publicou um excelente editorial que enumera e critica os diversos problemas da conservadora e confusa rede online da Nintendo, tornada segundo os argumentos do site, ainda pior com o Wii U. A versão completa do texto vocês conferem aqui. Abaixo seguem trechos:
“The Wii U’s launch was a bit rocky, to say the least. Missing features, promised TV services and slow-loading, day-one firmware updates left Nintendo fans frustrated and disappointed. The company is still cleaning up the mess too, announcing that it will push two additional software updates to fix the console’s slogging load times. A quicker console will certainly be welcome, but the Wii U spring updates are missing an opportunity to close a rift that divides Nintendo from its loving customer base: how it handles digital content ownership.
Ever buy an Xbox Live game? You probably know that purchase is tied to your Xbox Live account, and will be available on any subsequent Xbox you purchase. Not in Nintendo’s world; Kyoto’s digital sales are tied to the gaming hardware, not the user’s account. It’s been a sore spot for Nintendo gamers for some time now, and the Wii U was the company’s chance to make amends — except it didn’t. Like its predecessors, the new console locks content to the device it was originally purchased on, imprisoning digital purchases in a physical cage. The Wii U takes content confinement a step further with its support for legacy software, providing a near-perfect example of the folly of Nintendo’s content ownership philosophy: the isolated sandbox of its backwards-compatible Wii Menu.
The functionality of the Wii U’s backwards-compatible mode is undeniable — it’s a near-perfect replication of the original hardware’s system menu. Too perfect. Despite offering a fully functional emulation of Nintendo’s previous-generation hardware, the Wii U’s legacy support is riddled with muted consequences, perplexing limitations and lost potential. The sandbox itself, for instance, is built on the Wii U’s expansive beach of internal storage (8GB to 32GB, depending on the model), but limits itself to the paltry 512MB of virtual storage within its personal playpen. This corresponds with the original Wii’s available storage, but stands as an example of how the Wii U fails to deliver a superior Wii experience over the original hardware, presenting an adequate facsimile instead.
It’s strange to think of Nintendo as afraid of change. This is the company that built a touchscreen handheld with two displays, shook up the industry with motion control and even took the 3D fad for a spin 15 years early, so why is it so behind the curve when it comes to content management and delivery? Whatever its reservations are, the company is trying to catch up — Wii U documentation promises that the Nintendo Network ID will work with “future” consoles, and a recently announced merger of the company’s handheld and console gaming units promises to integrate the architecture of Nintendo’s next generation. Admirable goals, to be sure, but we’re not certain Nintendo can afford to wait. After all, its competition’s next generation is right around the corner.
Há dois posts eu escrevi sobre a diferença de tratamento que a Nintendo dá para os títulos 2d e 3d de seu principal personagem e símbolo, Super Mario. Lá também falei sobre uma espécie de conflito que parece haver entre o que a Nintendo e o mercado quer quando se fala dos games do bigodudo italiano. Pois bem, nesse post mostrarei em números o tamanho dessa estranha (e para mim desnecessária) dicotomia. Tudo no link abaixo.
No post anterior eu mencionei que viajaria para os Estados Unidos e que traria posts de lá. Pois bem, cumprindo a promessa que fiz, trago-lhes um post especial mostrando tudo sobre a Nintendo World Store, a loja oficial da Nintendo, que fica na sempre bela e cosmopolita cidade de Nova Iorque. Vamos em frente!
“O tempo passa…o tempo voa…” Era o que dizia aquela eterna propaganda do extinto banco Bamerindus. Em uma inocente tarde de 2002 o jovem AvcF insere um disquinho com aquele que é o maior clássico do GameCube:
A data de lançamento original foi 17 de novembro de 2002 (é, atrasei um dias, eu sei…), e passada uma década esse jogo continua tão espetacular quanto era da primeira vez que joguei. A atmosfera, os mistérios, a emergência…Metroid Prime foi a perfeita tradução de tudo o que os clássicos NES e SNES eram em um ambiente tridimensional. Prime foi um game que respeitou os valores do passado, usandos para moldar um game atual. É mesmo sendo um game de produção 100% americana, é um Metroid de verdade, não um anime cafona como Other M.
Vida longa a esse grande clássico dos games. Daqui a dez anos, em 2022, falarei novamente sobre Metroid Prime, estejam certos. Até lá.
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