Saudações aos incas venuzianos.

Artigo do meu amigo João a respeito dessa palhaçada que acontece com notas e avaliações de jogos e afins. Muito interessante, aproveitem e leiam algo interessante nessa apática segunda-feira de feriado.

Estava me divertindo com um jogo baseado no desenho japonês de sucesso Dragon Ball Z, quando me questionaram qual seria a nota que eu daria ao jogo. Bem, somente pela possibilidade de usar os personagens e explodir todo o cenário já me convencia: merecia nota dez. Porém, o incansável colega insistia no fato de que aquele mesmo jogo tivera notas medianas pela crítica, pois fatores técnicos e outros diversos o impediam da nota máxima. Mesmo assim, para o meu gosto o jogo continuava sendo nota dez.

A grande problemática da situação de cima demonstra o quanto nós humanos dependemos e idolatramos de maneira patética os números. É comum abrirmos revistas, jornais ou web sites ditos especializados e vermos filmes, teatros e jogos de videogames sendo avaliados e recebendo notas, ou melhor, simples números que reduzem o todo a um simples conceito. Se for um número baixo, é algo ruim, se for um número alto, está aprovado. Ciência simples.

Mas quem são esses seres avaliadores? Quem legitimou esse camarada para me dizer se algo está aprovado ou não? Melhor: quem diabos esse cara acha que é para criticar algo se baseando em conceitos pessoais, e reduzir uma peça de arte ou entretenimento em meros números? Não me lembro de nenhum processo democrático de seleção desses camaradas…

Os críticos de jogos de videogame ainda tem uma carta na manga: os fatores técnicos que supostamente impedem a diversão. Gráficos, gameplay, som e história – veja que interessante, pois eles consideram história como fator técnico – são avaliados minuciosamente com a missão divina se nos salvarem de criadores incompetentes. Independente de o gráfico ser relevante ao contexto do jogo, esse será julgado e massacrado pelos acéfalos que se julgam capazes. Porém, eu serei menos injusto e, como um bom jogador, entenderei tal esforço, pois os aspectos técnicos são ainda um enorme paradigma na indústria do entretenimento eletrônico: mas ainda assim a maldita nota não tem fundamento.

Mas o que fazer quando o veredito é a tão abstrata diversão? Veja um exemplo simples: eu vou ao cinema e adoro determinado filme blockbuster – esses são os mais odiados pelos pseudo-intelectuais que se julgam críticos de cinema – e saio da sala de projeção eufórico de alegria, mas chegando a minha casa vejo que o filme fora criticado em massa pelos supostos especialistas. Bem, será que eu sou burro e não tenho a visão superior deles em enxergar algo ruim? Será que perdi o senso crítico? Será que sou um ser estúpido que nada sabe de cinema? Ou será que GOSTAR OU NÃO DE ALGO É SUBJETIVO E VARIA DE ACORDO COM QUEM INTERAGE COM A PORRA DO NEGÓCIO?

Cada indivíduo possui uma estrutura independente do outro e certamente seu gosto por determinado filme, teatro ou jogo de videogame será diferente dos demais. Conteúdos pessoais influenciarão na experiência, fazendo com que a interação torne algo subjetivo e impossível de generalização. A obra pode ser considerada universalmente medíocre pela crítica, porém isso não isenta outros indivíduos de acharam exatamente o oposto. O gosto afetará, obviamente, o entendimento da qualidade do objeto. Ou seja, se eu gosto é bom, se eu não gosto é ruim… Para mim, não para os outros.

Enfim, parece-me que os críticos são apenas mais uma ferramenta de nivelação social, fazendo com que todos nós concordemos ou não com a opinião gerada por “sabe-se lá quem”. Fico imaginando se essas notas reducionistas não nos afetam a ponto de, quando interagimos com o objeto alvo delas, nossa opinião esteja contaminada, fazendo com que o julgamento seja enviesado a favor dos críticos.

Defendo que ninguém seja dotado de uma verdade suficiente que justifique o recebimento de páginas em qualquer veículo da mídia para escrever o que ele pensa ser o correto sobre o objeto analisado – interessante que eles discursam com tanta categoria que parece até acreditarem naquilo que apenas “acham”. Mas não é tudo fim de mundo…

É muito interessante quando podemos compartilhar nossas experiências sobre determinado jogo ou filme abertamente, percebendo o que outros sentiram ou experimentaram na viagem. Na internet tenho visto idéias interessantes de comunidades onde as pessoas podem coletivamente dizer suas observações e etc… Porém esses ainda pecam nos malditos números, porcentagens ou estrelinhas que continuam taxando a obra e as reduzindo. Mas verdade seja dita… O humano é preguiçoso demais para ler, e os números resumem muito bem aquilo que ele não quer pensar.

Texto: J Guedes