Dragon Ball Z: Ultimate Battle 22

Saudações aos prevaricadores.

Se no mundo dos videogames há a maldição dos jogos baseados em filmes, deve haver ao menos uma mandigazinha em relação aos jogos baseados em animes. Porque é duro achar um jogo desse tipo que seja acima da média, embora haja em quantidade bem maior que os baseados em filmes. De qualquer forma, em mais um trabalho de arqueologia inútil eu vasculhei pelas areias do destino mais uma porcaria: Dragon Ball Z Ultimate Battle 22, originalmente lançado para o finado Playstation. Acompanhem.

Lançado em 1995, portanto no início da vida útil do Playstation, DBZUB 22 deve ter sido um daqueles joguetes feitos com o mesmo capricho e tempo necessários para a preparação de um miojo de galinha caipira. Não me lembro quanto tempo depois, mas durante a era Playstation era bastante comum nos camelôs (pelo menos os de Taubaté) CDs “especiais” com juntados de jogos para lá de duvidosos. Em uma dessas tive contato com um que tinha três jogos do Dragon Ball Z, a coqueluche japonesa da ocasião. Até imagino os tiozinhos em suas barraquinhas gritando “Ó o cedê do Dragu Bó Zê! Treis jogo em um! Na minha mão é mais barato!” Pelo menos era um CD um pouquinho melhor produzido, tinha até uma etiqueta porcamente impressa no lugar do nome escrito errado com caneta de retro projetor. Aliás, gostaria de saber onde é que arrumaram um não tão ruim para um jogo.

Por cinco ou dez reais que seja, quem da geração playstation recusaria? Noves fora, o game é simplesmente “horrorível” (horroroso + horrível), medonho e constrangedor de tão ruim. Buscou reunir tentativas de cenários tridimensionais mais feios do que encoxar a mãe no tanque com sprites porcamente animadas e mal desenhadas. A jogabilidade não funcionava direito, mas ela era o menor dos problemas durante as lutas, que mais pareciam brigas de alcoólatras sob efeito de abscinto. Não houve qualquer preocupação em fazer golpes, lutadores e ambientes combinarem entre si, resultando em cenários girando a revelia do que está acontecendo, zooms errando a escala de um lutador em relação ao outro, magias que vão na direção contrária da onde o lutador aponta, entre outros shows de horror. No meio disso uma trilha sonora insossa se soma aos gritinhos e cacarejos chatíssimos (especialmente na versão japonesa) que ficam se repetindo ad nauseum. Vejam por vocês mesmos:


Emocionante…

Isso porque eu peguei um video que compila os especiais nada especiais dos personagens. Uma atrocidade seguida da outra, isso sem contar os inúmeros bugs e demais deficiências. Me lembro de após de assistir a algumas das piores lutas dos games baseados em animes, fui convidado a experimentar aquela desgraça e foi impossível esconder meu constrangimento diante de um game tão ruim. Aquela ação desconexa, aqueles cenários borrados e horripilantes com colinas disformes, conflitos de texturas, prédios deformados e cores sem qualquer critério e definição; girando em conjunto daqueles lutadores dando golpes a esmo sem qulquer critério de acerto e dano, me deixaram meio mal. Me revoltava aquela movimentação nojenta, com bonecos desajeitados e flutuando como se nem estivessem naqueles lugares. Uma grande ausência foi a da presença de um contador de tempo, assim aquele martírio poderia durar o menor tempo possível.

Os outros dois jogos que vinham naquele CD morfético eram tão lamentáveis que nem me lembro direito quais eram. Mesmo somando todo o conteúdo, aquilo não valia nem a caixinha de plástico sem vergonha em que vinha embalado. Pior que anos depois tiveram a coragem e a audácia de lançar uma versão oficial em inglês, com anos de atraso. Se teve algum energúmeno capaz de comprar aquilo para qualquer coisa além de fins suicidas, só consigo imaginar como um grave caso de Síndrome de Diógenes. De qualquer forma, os responsáveis por esse lançamento ocidental deveriam ter sido presos por estelionato e propaganda enganosa, e posteriormente banidos do planeta Terra. A humanidade quase deixou de progredir após o lançamento desse jogo. Dragon Ball Z Ultimate Battle 22 é certamente um dos piores títulos da nada abonadora biblioteca de títulos com a marca DBZ. É bem possível que seja o pior entre esses jogos e o pior game de luta do Playstation.

Felizmente a franquia Dragon Ball melhorou bastante nos anos seguintes com a série Budokai e assemelhados. Ainda estamos para ver um game de luta que equipare a intensidade e o brilho das melhores batalhas do mangá (que é bem melhor que o anime, só para constar), mas o que tem atualmente já é bastante jogável. Embora eu ache que essa marca já deu o que tinha dar, mas já que o pessoal continua comprando, que lancem alguém que preste. Que os tempos infames de Ultimate Battle 22 tenham ficado no passado e não voltem mais. Goku e cia agradecem. Seus fãs também.

Até o próximo post.

André V.C Franco/AvcF – Loading Time.