
Saudações aos destinatários.
Não foram apenas as notícias recentes que me fizeram a dizer a frase do título desse texto. Analisando a história dessa companhia, percebemos como algo que era bacana e contestador se tornou o símbolo do que há de pior na indústria dos games. Acompanhem.
Era uma vez uma empresa chamada Atari. Em um tempo muito, muito distante, era um negócio pequeno dirigido por dois sujeitos que investiram US$ 250 cada um. Resolveram mexer com jogos eletrônicos, e inventaram um jogo chamado Pong que foi sucesso. Depois inventaram o Home Pong, e também foi sucesso. Os jogos de arcade também faziam sucesso, eram copiados pelos concorrentes, a companhia só fazia crescer. Ai eles resolveram criar um console doméstico, mas isso era muito caro e difícil. Então, tiveram que vender a companhia para outra companhia maior, a Warner. Foi então que a Atari passou a ser presidida por um homem mau, muito mau, chamado Ray Kassar. A Atari se transformou de uma companhia criativa e vibrante para uma fábrica de joguetes descartáveis em série. Kassar, malvado que só ele, tratava os artistas e programadores de jogos como meros peões de fábrica, os impedia de receber créditos por suas criações e estipulava prazos e condições ridículas para os jogos. Até que após seguidos fracassos e desmandos, um pequeno grupo de dissidentes rebelou-se contra a tirania de Kassar, saindo da Atari e fundando a Activision.
A narrativa a lá conto da caroxinha serviu para resumir bastante a sequência de fatos que levaram ao surgimento da Activision. No seu início, ela foi responsável por alguns dos melhores jogos do Atari 2600. Quem era da época, ou sabe alguma coisa a mais de história dos games do que a geração playstation, certamente conhece games como Pitfall, River Raid, Enduro, H.E.R.O, Sea Quest e Freeway. Entretanto, isso é passado. O fato é que com o passar dos anos a Activision foi crescendo, e de uns tempos para cá, tal qual a EA, foi comprando estúdios menores até atingir o atual estado. O ápice desse processo foi união da Activision com a gigante do entretenimento Vivendi, cuja principal posse é tradicional estúdio Blizzard (tenho mesmo que explicar quem é a Blizzard?). Foi apartir daí que emergiu a nefasta figura de Bobby Kotick, CEO da Activision-Blizzard, que vem a ser o resultado da junção da empresas já citadas. Kotick, hoje é odiado pelos jogadores de todos os cantos, e suas recentes ações o tornou o antigame. Sua figura arrogante, e sua completa indiferença em relação a qualidade e o capricho dos games, só o torna mais odioso. Para Kotick, os games só servem para ser explorados e gerar o maior lucro possível. Exagero meu? Então leiam essa declaração de Kotick publicada em 2008 na página MTV Multiplayer:
“(não lançamos games) que não têm potencial para ser explorados todo ano em todas as plataformas com claro potencial para sequência, e que tenham o potencial para se tornarem franquias de US$ 100 milhões…Eu acho, no geral, nossa estratégias tem sido focar…em produtos que tenham esses atributos e características, os produtos que nós sabemos que se os lançarmos hoje, nós estaremos trabalhando nesses até daqui há dez anos.”
O contexto dessa declaração está no link acima, mas de qualquer forma, o que lemos aqui pode ser considerado como a síntese da mentalidade de Kotick. Um exemplo claro disso é a prostituição da série musical Guitar Hero. Em pouco mais de quatro anos foram lançados treze jogos em diversas versões todas as plataformas existentes, fora todos os pacotes pagos de música e os instrumentos. E sabemos todos que vem mais por aí. Um exemplo mais claro da mentalidade Kotick sendo posta em prática é o que está sendo feito com o aguardadíssimo Star Craft II. Primeiro a companhia separou as campanhas dos Terrans, Zegs e Protoss em produtos separados, ou seja, o jogador terminará na prática comprando três vezes o mesmo jogo. A segunda sacanagem foi retirar o modo por rede, ou seja, multiplayer somente online através da rede Battle.Net 2.0 (cujos rumores apontam que será paga). Eu sugiro aos fãs de Star Craft para segurar as carteiras, pois me parece certo que a putaria de microtransações e perfumarias pagas invadirá a jogatina de SC II.
O grande lançamento rardecor do ano passado nos consoles foi Call of Duty: Modern Warfare 2, sem dúvida. Por outro lado, o jogo foi um fiasco na versão PC, indiretamente graças aos desmandos de Kotick (afinal, qualquer líder esta a par do que seus funcionários fazem). Os games de PC custam no máximo US$ 50, mas a Activision resolveu aumentar para US$ 60. Houve algo que justificasse o aumento de preço, certo? Errado. A Activision mandou retirar servidores dedicados, tem gráficos piores que as versões X360/PS3, e tem menos conteúdo. Em suma, é pagar por uma versão capada. Prova disso é a disparidade entre os reviews dos sites, e a avaliação dos leitores como os do IGN, por exemplo.
E por falar em desmandos, é impossível não comentar o que houve recentemente entre a Activision e Infinity Ward. Resumindo ao máximo, o problema começou com a discordância do estúdio com relação ao próximo título da série Call of Duty. A Activision queria a produção imediata do próximo Modern Warfare, enquanto que a Infinity queria trabalhar em outros games. Então, sob alegação de suposta insubordinação de Vince Zampella e Jason West, a Activision enviou seguranças para retirá-los à força, sem contar que parece que o local onde a Infinty funciona parece que foi fechado durante o episódio, se entendi certo. Agora Zampella e West estão processando a Activision, pois além de todo o constrangimento, não receberam os royalties a que têm direito pelas vendas de Modern Warfare 2.
Claro que não se pode jogar tudo diretamente sobre as costas de Kotick, mas como CEO de uma companhia, se ele não peca pelo erro em si, peca pela omissão. Mas o fato é que somando tudo temos uma companhia outrora inovadora e contestadora tomando uma direção triste. A Activision se tornou aquilo que ela combateu no passado, com Bobby Kottick no papel que era de Rey Kassar nos anos 1980. O mesmo desprezo pelo consumidor, a mesma arrogância, o mesmo autoritarismo sobre artistas e programadores. A história mostrou que essa mistura é destrutiva no longo prazo. Kassar destruiu o que havia de melhor na Atari. Kotick já pode estar começando a destruir mais uma franquia, já que a Activision já conseguiu destruir Tony Hawk, Spider-Man, prostituir Guitar Hero e está tudo arrumado para prejudicar os jogadores de Star Craft II.
Quem te viu, quem te vê, Acivision.
André V.C Franco/AvcF – Loading Time.
To tao desanimado com os jogos novos… que torço loucamente pra que o maximo de empresas declarem falência no menor tempo possível.
Star 2 é muito bom!
joguei a beta (com AI hackeada, não tenho a beta key) e gostei bastante, mas não pagaria pra jogar com meus amigos ALÉM do valor do jogo…. até pq SÓ jogo star com meus amigos (pagando 30 reais no star + brood war)….
realmente
parece q muitos caras quando veem o poder e dinheiro em suas maos decidem partir pro lado errado…ray kassar destruiu realmente a atari..e o bobby ta fazendo o mesmo com a actvision…e realmente essa compania bota suas franquis pra se prostituir direto…muitos amigos meus falaram q gh3 foi o melhor…e ainda é o melhor gh,pq depois de rock band, gh fico repetitivo demais…ainda mais de que todo ano lançam o mesmo jogo com pequenas melhorias e com musicas mais bizarras(vampire weekend por exemplo…)
e tb band hero q e pra tocar musica pop :facepalm:
fica ae o desabafo!
Belo post Avcf, como sempre o dinheiro e a ganância falam mais alto meu caro! É realmente lamentável esse episódio que ocorreu com o Zampella e o West, uma atitude no mínimo ditatorial não acha? Em pleno século 21 ainda presenciarmos este tipo de ação tirana é lamentável. Bem feito para a Activision esse processo que ao meu ver já é uma causa ganha se realmente ocorreu tudo o que foi supracitado.
Mas tem um lado bom nisso… logo alguns funcionários saem da Activision e abrem uma nova empresa que fará grandes jogos… até se tornar gigante e começar a fazer cagadas…
Mas estamos vendo a queda na qualidade dos games da Activision. Modern Warfare 2 é gritantemente um caça niquel que deu certo, pois nada justifica todo o sucesso e alarde causado. O game não tem nada de especial. E Guitar Hero esta cada vez mais se distanciando da proposta original e se tornando uma diversão cara e enjoativa. Sem contar as inumeras franquias que estão se perdendo como tempo. Uma pena mesmo, pois poderia sair coisas espetaculares dela!!!!
Que homem mau!!
Primeira analogia:
“(não lançamos games) que não têm potencial para ser explorados todo ano em todas as plataformas com claro potencial para sequência, e que tenham o potencial para se tornarem franquias de US$ 100 milhões…Eu acho, no geral, nossa estratégias tem sido focar…em produtos que tenham esses atributos e características, os produtos que nós sabemos que se os lançarmos hoje, nós estaremos trabalhando nesses até daqui a dez anos.”
Essa maneira de pensar é muito semelhante a de Stan Lee (não sabe quem é?) demonstrada no documentário “Stan Lee: Mutantes, Monstros e Quadrinhos”…onde o mesmo diz que nunca um PRODUTO seu foi tão bem representado… sobre um de seus maiores personagens (Homem-Aranha). Cadê aquele cara supra-criativo que criou o panteão de heróis que inspirou diversos outros artistas e entreteu milhões com valores os quais a geração atual ignora ou está aquém de sua existência para a editora comprada pela Disney recentemente? Virou um grande capitalista que foi colocado pra fora da Marvel antes dela ser vendida…
Segunda analogia:
Em relação as estratégias comerciais da Actvision, vejo outra empresa andando pelo mesmo caminho…a SNK Playmore…lançando pachinkos para salvar a empresa de uma eminente falência, jogando suas franquias e personagens consagrados pelo público no lixo…
Como eu sempre digo: O problema não é fazer isso, o problema é SÓ fazer isso.
Não sejamos ingênuos gente, empresas sempre viveram do lucro e sempre vão procurar estratégias seguras para se manterem vivas. Empresas como Harmonix, Capcom e Nintendo também utilizam suas franquias a exaustão para continuarem com dinheiro no bolso. A diferença entre elas e a atual Activision é que, enquanto na Activision temos uma sensação de “deja vu”, as outras empresas tentam dar uma “justificativa” ao lançarem suas sequências, seja na ambientação ou então no gameplay que estamos mais do que acostumados. Em resumo: Falta na Activision aquele “feeling” que faz o jogo em si ser diferenciado (Coisa existente em jogos como The Beatles: Rock Band, Street Fighter IV, Super Mario Galaxy e até mesmo alguns jogos da Activision, como Call of Duty: Modern Warfare), e a falta disso na maioria de seus jogos significa que tem algo realmente errado dentro da empresa.
Uma empresa que estava assim, percebeu a cagada e decidiu mudar foi a própria EA. Houve uma época que ela se preocupava mais com pacotes de expansão e suas manjadas séries do que com os jogos em si, pareciam todos cópias do mesmo jogo (um dos símbolos disso é a guerra FIFA X Winning Eleven, onde a Konami teve seu auge entre WE 7 e WE 10 e só na next-gen essa posição conseguiu ser revertida). Percebeu a cagada e agora é uma empresa que não escapa de reclamações, mas consegue manter um equilíbrio saudável entre a qualidade de seus produtos, a experimentação de novos estilos de jogo e a exploração de suas franquias. Porém, Bobby Kotick é dono da mais conservadora mentalidade judia. Dificilmente mudará seu rumo no meio de seu mandato.
Cara, excelente texto traduz pro ingles e manda pro kotaku ou seja lá o que preferir
Rumores apontam que a bnet será paga?
Pesquise antes de publicar besteiras!
Comentário do AvcF: Ok, Rodrigo:
N4G: Battle.Net 2.0 paid service a possibility?
1up: Blizzard Might Add More Pay Services To Battle.net
Eurogamer: StarCraft II to allow paid-for mods News
Pesquise antes de comentar besteiras.
Fiquei triste agora! Eu sou um dos que aguarda ansiosamente o StarCraft II que por sinal já está demorando muito… Mais uma investida mercenária! Pirataria neles!!!
[Offtopic] Oxi! O cara nem é tão mau assim! Basta tirar os olhos vermelhos – Com tantos recursos eficientes existentes nas câmeras e softwares para tratamento de imagens hoje em dia… Nada que uma “Photoshopada” não resolva!
Comentário do AvcF: deixei os olhos vermelhos de propósito. E o autor da imagem original também deixou, sem dúvidas. O Kotick merece.
Desde a década de 90 eu já via a Actvision uma empresa bastante “comercial” (especialmente pelos jogos caça-níqueis das franquias Marvel) apesar dos lampejos de criatividade. Mas desde que soube da união Blizzard+Actvision eu previa que a empresa ficaria ainda mais comercial possível, como algo entre a EA e a Midway…
Parece que a minha impressão inicial era na verdade um mal presságio… Veremos o que isso vai dar.
“(não lançamos games) que não têm potencial para ser explorados todo ano em todas as plataformas com claro potencial para sequência, e que tenham o potencial para se tornarem franquias de US$ 100 milhões…Eu acho, no geral, nossa estratégias tem sido focar…em produtos que tenham esses atributos e características, os produtos que nós sabemos que se os lançarmos hoje, nós estaremos trabalhando nesses até daqui a dez anos.”
É por isso que não lançam o SWAT 5. Depois da fusão com a Vivendi a coisa só desandou pra Sierra…