RETRO ANÁLISE: Dead Space
por Alexandre “Kapricorn” Bomfim – colaboração para o GamesGeral
Sabe? Eu não sou do tipo de cara que se assusta fácil. Isso, é claro, se não contarmos palhaços com maquiagens fortes, cartas-corrente sobre almas-penadas que vão nos matar se não reenviarmos a carta para quarenta pessoas ou mesmo atualização de twitter de deputado. Ok… Aparentemente, então, eu sou um medroso, mas acho que, no caso de Dead Space, até os mais boludos de nós passarão por algum aperto.
Lançado em 2008 com esforços da EA Redwood Shores para criar “o” survival horror espacial de tiro em terceira pessoa, Dead Space era um desses jogos pelos quais eu não dava nada. Parecia muito ligado ao aspecto asqueroso das criaturas inimigas, mas com uma proposta meio “espacial” demais. Achei que ia ser um jogo de tiro desenfreado, sem que o elemento medo fosse realmente determinante. Mais ou menos como os últimos Resident Evil. Errei.
No game, o jogador controla Isaac Clarke, um engenheiro de reparos de naves espaciais. Peraí?… Um engenheiro? Cara! Se todo Engenheiro fosse assim, as refinarias seriam quartéis de exército! Clarke é, literalmente, “o” cara. Com cojones para preencher muitas calças, Isaac Clarke segue indômito pelos corredores escuros e sombrios da Ishimura, tentando achar um meio de escapar, com seus aliados, daquele inferno de morte e terror. Só uma coisa é meio enjoada no protagonista: ele obedece demais.
Kendra Daniels e Zach Hammond são os outros dois tripulantes sobreviventes da nave enviada em auxílio à Ishimura, com a qual se teria perdido contato na Terra. Olha… eu não tenho nada contra ajudantes em campanhas de terror, apesar de que saber que se está sozinho – no maior estilo Fatal Frame – é a receita certa pra atormentar qualquer mente sã. Mas, neste caso, os “ajudantes” não ajudam em nada! Clarke faz absolutamente tudo! Ele é o típico estagiário que serve café, envia correspondências e passeia com o cachorro do chefe. O faz-tudo que não tem seu valor reconhecido. Mas, fora essa corrupção do papel social do nosso herói, não sei, sinceramente, se Dead Space tem alguma outra coisa que eu possa chamar de defeito…
O jogo saiu em 2008 com gráficos fantásticos, capazes de provocar a imersão total no jogador. Desde a integração de elementos como vida e habilidade especial (stasis e telecinésia, dois atributos que a armadura de Isaac lhe permite utilizar e que serão fundamentais para solucionar puzzles) ao próprio design da armadura do herói, até a utilização de texturas e efeitos de luz fantásticos. Tudo bem que não há muita variedade de cenários, mas o jogo se passa em uma nave abandonada, com mortos se tornando criaturas perversas (necromorphs) e sangue espalhado por todo lado. Não tinha como ser colorido.
No quesito som, Dead Space também não decepciona. Consegue criar espaços de tensão constante com gritos e ruídos ocasionais. Mesmo a simples aparição da tela em que Kendra e Hammond falam o que Clarke deverá fazer a seguir é assustadora. É difícil se acostumar com o chiado rasgado que antecede cada “ordem” que essas duas mulas empacadas passam a Isaac. Além disso, os grunhidos dos inimigos é realmente tenebroso. Ainda mais quando eles surgem do nada, urrando e voando na sua direção, com garras aterrorizantes e formas bizarras.
Os inimigos, na minha opinião, são bem variados. Repetem bastante ao longo do desenvolvimento do game, mas sempre surge uma surpresinha nova quando você acha que o jogo está fácil demais. Além disso, o ponto básico que preenche a ação de tiro deste game está na forma inusitada com que se matam os necromorphs. Esqueçam o velho “Shoot’em in the head!!!”; neste game, o segredo está em desmembrar os monstros. Isso mesmo… atirar nos braços, pernas e tentáculos com sua arma de plasma ou algum dos outros instrumentos de aniquilação que o game te permite adquirir. E, creiam, é custoso acertar o braço de uma criatura correndo na sua direção, balançando suas garras.
Felizmente, o jogo conta com a possibilidade de upgrade de armas e armaduras, o que permite que Isaac evolua enquanto trabalha de office-boy para os preguiçosos que lhe dão ordens. Seja utilizando bancadas para aumentar a força de suas armas ou mesmo comprando novas versões de armadura, o game permite ao jogador evoluir para poder aguentar o tranco. E o tranco é complicado.
Uma das características que tornam o jogo algo um tanto difícil é que o menu de itens é aberto em tempo real, sem interrupção da ação. Então, nada de recarregar seu stasis na boa, travando os necromorphs em seus respectivos lugares graças a um menu que pausa o jogo. Se quiser mesmo recarregar essa barra de habilidade, prepare-se para apanhar um pouco. A vantagem está em que os programadores foram gentis o bastante para permitir um botão de hotkey no controle para recarregar sua energia vital. Ufa. Bom também é o fato de que, constantemente, encontramos locais para salvar o avanço, o que permite evitar a frustração de repetir uma série absurda de tarefas sempre que morrermos.
No que tange à jogabilidade, Dead Space cumpre o que promete. Isaac é meio gordinho e lerdo na sua movimentação, não contando com manobras típicas de soldados, como rolar para o lado ou assumir uma posição defensiva atrás de uma parede. Mas a questão é: Isaac Clarke não é um soldado! Como engenheiro, honestamente?, ele faz um ótimo trabalho no negócio de chutar traseiros alienígenas. Controles responsivos, rápidos e com a possibilidade de mirar nos membros nos necromorphs se você for dotado daquele sangue-frio que viabiliza ataques com sucesso em momentos de desespero.
Por fim, a história. Caramba… ela é tensa! Cheio de reviravoltas e perpetração de loucuras, o enredo de Dead Space tem tudo o que é necessário: desde um drama amoroso entre o protagonista e Nicole, sua amada, que havia sido designada para a Ishimura, até mesmo a síndrome de teoria da conspiração em que Kendra não confia em Hammond e vice-versa. Acreditem, é uma história densa. Faltou só algum humor, mas acho que é difícil fazer piada quando todos à sua volta se tornaram monstros asquerosos que querem te matar. Se bem que Zombieland é hilário…
De qualquer forma, Dead Space é um daqueles jogos cativantes que prometem e, de fato, entregam o horror e o medo de estar perdido em uma grande nave abandonada ao domínio de um império de criaturas sinistras e assassinas. Coloca no papel de protagonista um sujeito caladão, mas que sabe cumprir ordens, e sempre com estilo e determinação, arrancando parte por parte de criaturas terríveis e dando uma nova qualificação ao termo “engenheiro”.
Análise
| Prós | Contras |
|---|---|
| Ambientação assustadora; história que realmente tem um enredo intrigante e controles muito bem responsivos. | Isaac Clarke apenas obedece... chega a ser meio irritante |
*Análise feita com base na versão para Xbox 360. A experiência pode ser alterada em outras plataformas.
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